'Avanços' nas negociações FMI-UE sobre a dívida da Grécia

Washington, 3 Mar 2016 (AFP) - As complexas discussões entre FMI e a União Europeia em torno do plano de resgate para a Grécia registraram "avanços" em uma reunião informal em Bruxelas, disseram nesta quinta-feira, em Washington, representantes dessas instituições.

"Conseguimos avanços nas negociações", disse o porta-voz do FMI, Gerry Rice em uma coletiva de imprensa em Washington, ecoando declarações parecidas de uma fonte europeia.

Rice também afirmou que o FMI exorta os europeus a mostrar uma maior clareza e "realismo" nos ajustes exigidos à Grécia em troca do pacote de ajudas concedidas por Bruxelas no ano passado.

"Buscamos oferecer uma análise realista (...) Nosso trabalho é ser realista", declarou o funcionário.

Os representantes dos provedores de recursos para a Grécia se reuniram na noite de quarta-feira na tentativa de resolver suas diferenças sobre as medidas exigidas de Atenas, para que o país cumpra as metas orçamentárias estabelecidas no ano passado em troca do financiamento de 86 bilhões de euros em empréstimos europeus.

O cerne do debate pode ser resumido em uma pergunta: como implementar as metas orçamentárias atribuídas à Grécia em troca dos 86 bilhões de euros?.

"Ninguém vai deixar que isso (as diferenças entre o FMI e a UE, ndr) se deteriore. Isso será resolvido logo", disse outra fonte europeia sob a condição de anonimato.

O porta-voz do FMI assegurou também que é essencial definir claramente as medidas necessárias de ajustes econômicos -sobretudo em aposentadorias- para que a Grécia possa cumprir com o que considerou "metas muito ambiciosas" como a de um superávit primário (excluindo os encargos de serviço da dívida) de 3,5%.

"Isso nunca foi quantificado ou esclarecido", garantiu Rice, pedindo aos europeus que considerem suas responsabilidades, enquanto Atenas acusa o FMI de intransigência em suas exigências.

A instituição defensora da ortodoxia fiscal assegura não querer alterar as metas, mas que se assegurar de que o programa "mantenha o seu caminho", trazendo a dívida grega a níveis sustentáveis. Atualmente a dívida grega é de aproximadamente 180% do PIB.

"Será muito difícil para uma sociedade que sofreu com dolorosos ajustes nos últimos cinco anos alcançar essas metas fiscais ambiciosas," disse o porta-voz do FMI.

O FMI, que participou em dois resgates internacionais anteriores da Grécia, condiciona sua participação no plano de ajuda a garantias de que a dívida grega será manejável, tanto através das medidas de contenção do gasto público, como das ajudas financeiras outorgadas pelos europeus.

Para se decidir, o organismo aguarda agora a primeira avaliação das reformas empreendidas por Atenas desde o ano passado.

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