Coalizão do governo vence legislativas na Irlanda, mas sem maioria

Dublin, 3 Mar 2016 (AFP) - A coalizão em fim de mandato na Irlanda, integrada pelo Fine Gael (centro-direita) e pelo Partido Trabalhista, venceu as eleições legislativas sem conservar, no entanto, sua maioria no Parlamento, segundo os resultados definitivos publicados nesta quinta-feira.

Nas eleições de sexta-feira passada, o Fine Gael do primeiro-ministro em fim de mandato, Enda Kenny, obteve 50 dos 158 assentos no Parlamento, contra 76 nas últimas eleições de 2011.

Os trabalhistas afundaram, passando de 37 a 7 deputados.

Inclusive a soma dos dois partidos está muito distante dos 80 deputados necessários para obter maioria absoluta e constituir um governo estável.

Os resultados evidenciam uma rejeição categórica à política de austeridade da coalizão de Kenny. Muitos irlandeses afirmam não sentir os efeitos da recuperação econômica, com um crescimento de 7% do PIB em 2015 e um retrocesso do desemprego a 9%.

O Fianna Fail (centro-direita), o outro grande partido deste país de 4,6 milhões de habitantes, foi a segunda força mais votada, com 44 assentos, contra 20 em 2011.

O Sinn Fein (esquerda nacionalista), antiga vitrine política do IRA, se converteu no terceiro partido, com 23 assentos, nove a mais em relação a 2011.

A falta de um vencedor claro envolve o país na incerteza e abre um período de negociações para tentar formar um governo.

Uma saída seria uma aliança inédita entre dois rivais, o Fine Gael e o Fianna Fail, que se sucedem no poder desde 1932.

Mas com esta solução trairiam suas promessas de campanha, o que poderá aborrecer sua base que, apesar da proximidade dos programas dos dois partidos, mantém ressentimentos vinculados a sua história.

De fato, os dois movimentos são oriundos de dois campos opostos na guerra civil irlandesa (1922-23).

Dessa forma, é pouco provável que o Fianna Fail queira participar em um governo como sócio minoritário, já que várias pesquisas na Europa demonstram que esta posição é a que custa mais votos em caso de fracasso, como foi o caso do Partido liberal-democrata na Alemanha, dos liberais democratas, no Reino Unido, e dos trabalhistas na Irlanda.

A solução pode ser um governo de minoria do Fine Gael, com o apoio pontual do Fianna Fail.

Também não é descartado um cenário como na Espanha, onde mais de dois meses depois das legislativas ainda não há um governo e a falta de entendimento entre os partidos pode levar à convocação de novas eleições.

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