Coreia do Norte dispara projéteis de curto alcance após aprovação de sanções

Seul, 3 Mar 2016 (AFP) - A Coreia do Norte disparou nesta quinta-feira projéteis de curto alcance, na altura de sua costa oriental, indicou o governo sul-coreano, horas após o Conselho de Segurança da ONU endurecer as sanções internacionais contra o regime de Pyongyang.

Seis projéteis, aparentemente com alcance entre 100 e 150 km, foram disparados sobre o Mar do Japão às 10H00 (22H00 Brasília de quarta-feira), segundo o ministério sul-coreano da Defesa.

Após os disparos, o ministério chinês das Relações Exteriores convocou todas as partes a se absterem de qualquer ação que aumente as tensões.

Os disparos norte-coreanos ocorreram apenas algumas horas após o Conselho de Segurança da ONU impor novas sanções contra Pyongyang após seus últimos testes nuclear e balístico.

A resolução, apresentada pelos Estados Unidos, foi adotada por unanimidade, inclusive pela China, aliada do regime norte-coreano.

O presidente americano, Barack Obama, considerou a decisão como uma "resposta firme, unida e apropriada" ao teste nuclear - o quarto desde 2006 - e a outro de míssil realizados em 6 de janeiro e 7 de fevereiro, respectivamente, em violação às resoluções da ONU.

"A comunidade internacional, que se expressou com uma só voz, enviou a Pyongyang uma mensagem simples: a Coreia do Norte deve abandonar estes perigosos programas e escolher um caminho melhor para seu povo", acrescentou Obama.

Estas sanções "estão entre as mais duas já adotadas contra um país", destacou o embaixador britânico, Matthew Rycroft.

O embaixador chinês, Liu Jieyi, estimou que a resolução deve ser "um ponto de partida" para retomar as negociações sobre o desmantelamento do programa nuclear norte-coreano, atualmente em ponto morto.

Pela primeira vez, países membros da ONU deverão inspecionar todas as mercadorias provenientes de, ou com destino à Coreia do Norte.

Também deverão proibir os navios suspeitos de transportar cargas ilegais para a Coreia do Norte de fazerem escala em seus portos.

A resolução também impõe mais restrições às exportações norte-coreanas para limitar a capacidade do regime de financiar seus programas militares. Proíbe as exportações de carvão, ferro, minério de ferro, ouro, titânio e outros minerais da Coreia do Norte.

As sanções incluem ainda o fornecimento de combustível para aviões e foguetes.

Segundo a embaixadora americana, Samantha Power, Pyongyang recebe 1 bilhão de dólares anuais com a exportação de carvão e 200 milhões vendendo seu minério de ferro.

Por outro lado, os Estados membros da ONU deverão expulsar os diplomatas norte-coreanos envolvidos em contrabando ou qualquer outra atividade ilegal.

Relógios de luxo, motos, embarcações e outros artigos de luxo não podem ser vendidos à Coreia do Norte, uma medida que se dirige à elite de Pyongyang.

Duras negociaçõesAs negociações entre os Estados Unidos e a China duraram sete semanas para chegar a um acordo sobre o pacote de sanções, mas o impacto real das medidas depende em grande parte de como Pequim as implementará.

A China teme que exercer mais pressão sobre o regime possa causar o seu colapso e criar o caos na sua fronteira.

As negociações sobre um aumento das sanções coincidiram com o anúncio da Coreia do Sul e dos Estados Unidos de planos para implantar um novo sistema de defesa antimísseis na península coreana.

A China, e em menor grau a Rússia, "vão encontrar, como sempre, rachaduras", para evitar a plena aplicação das sanções da ONU, afirma Roberta Cohen, uma especialista em Coreia do Norte do Brookings Institution.

Mas Pequim "avalia a evolução das fortes alianças militares entre os Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão e percebe que não pode continuar no caminho atual", acrescenta.

O Departamento do Tesouro americano, por sua vez, anunciou sanções contra duas entidades e dez pessoas vinculadas ao programa norte-coreano, enquanto o Departamento de Estado acrescentou três entidades e dois indivíduos à sua lista negra de sancionados.

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