Credores argentinos recorrerão da decisão de Griesa em litígio com fundos

Buenos Aires, 3 Mar 2016 (AFP) - Um grupo de credores argentinos recorrerá da decisão do juiz de Nova York Thomas Griesa de suspender as restrições à Argentina no litígio pela dívida em moratória desde 2001, anunciaram em Buenos Aires nesta quinta-feira.

Horacio Vázquez, integrante da Associação de Prejudicados pelo Default e pela Desvalorização (Adapd), afirmou ao jornal La Nación que os afetados irão recorrer nos tribunais de Nova York.

A Argentina apresentou no dia 7 de fevereiro aos fundos especulativos nos Estados Unidos uma proposta e fechou compromissos em 85% das demandas, pelos quais pagará em espécie uma quantia de 6,5 bilhões de dólares, quitando 25% sobre os 9 bilhões de reclamados em processos judiciais.

Em virtude dos acordos, o juiz Griesa resolveu na quarta-feira suspender as medidas cautelares que pesavam sobre a Argentina de modo de permitir seu retorno aos mercados financeiros e o pagamento de sua dívida reestruturada em 2005 e 2010.

Como condição, Griesa pede a derrogação das leis que impedem um acordo com os fundos demandantes que não aceitaram a reestruturação de 2005 e 2010 e que pague aos credores que aceitem sua oferta até 29 de fevereiro.

Na sexta-feira começará o processo legislativo na Argentina em que o ministro da Economia, Alfonso Prat-Gay irá ao plenário das comissões de Orçamento e Finanças para explicar os alcances do acordo.

Os fundos "abutres" NML Capital e Aurelius chegaram na segunda-feira a um pré-acordo com a Argentina para cobrar 4,653 bilhões de dólares.

Tanto esses fundos como os que ainda não chegaram a um compromisso pediram ao juiz que outorgasse um plano adicional de 30 dias para que as negociações continuassem, o que foi negado.

"Vamos recorrer (da decisão) porque Griesa falou uma coisa e fez outra", disse Vázquez ao La Nación.

A ordem de Griesa, que também exige que a Argentina notifique seus pagamentos, entrará em vigência em duas semanas, prazo estipulado aos demandantes para que recorram da decisão.

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