França e Alemanha divergem sobre futuro da Ucrânia em reunião de paz

Paris, 4 Mar 2016 (AFP) - A reunião de ministros das Relações Exteriores francês, alemão, ucraniano e russo, realizada nesta quinta-feira em Paris, não permitiu "avanços no processo político" em relação ao conflito no leste da Ucrânia - declarou o ministro da diplomacia alemã, Frank-Walter Steinmeier, agora à noite.

Questionado sobre a realização de eleições locais antes do fim de julho - anunciadas anteriormente pelo ministro francês, Jean-Marc Ayrault -, Steinmeier respondeu: "isso dependerá se Kiev e Moscou trabalharão juntas de maneira mais construtiva sobre esse tema".

"Continua sendo difícil", completou, sem esconder seu pessimismo.

De acordo com o chanceler francês, porém, todos os ministros concordaram sobre a necessidade de convocar eleições nessa região da Ucrânia, antes "do fim do primeiro semestre de 2016".

"Não estou satisfeito como a maneira como Kiev e Moscou realizam as negociações", reclamou Steinmeier, enquanto o russo Serguei Lavrov saía da reunião com expressão séria e sem dar declarações.

"É necessário poder garantir a segurança da organização das eleições. Precisamos de segurança no terreno", defendeu o ucraniano Pavlo Klimkin.

Ele também considerou que a reunião de hoje sobre o processo de paz não permitiu "avanços".

O ministro Ayrault disse ainda que reivindicou junto ao colega alemão "a libertação e a troca de todos os prisioneiros e pessoas detidas ilegalmente, até 30 de abril".

O diplomata francês contou que pediu às partes, "sem mais demora", que forneçam "todas as informações sobre o acompanhamento e a verificação efetiva por parte da OSCE da retirada de todas as armas pesadas" nesta região da Ucrânia.

As populações civis também devem ter acesso "sem restrição" à ajuda humanitária, completou Ayrault.

Firmados em fevereiro de 2015 na capital bielo-russa, graças à mediação franco-alemã e na presença do presidente russo, Vladimir Putin, os acordos de Minsk preveem um cessar-fogo e um conjunto de medidas políticas, econômicas e sociais para solucionar o conflito ucraniano. São mais de 9.000 mortos em quase dois anos.

Há meses, as negociações se encontram em ponto morto.

Em visita a Kiev, em 22 e 23 de fevereiro, Ayrault e Steinmeier pediram às autoridades ucranianas que continuem suas reformas políticas, sobretudo, com a adoção em caráter urgente de uma lei eleitoral que permita a realização de eleições locais no leste.

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