Pré-candidatos republicanos debatem hoje com partido em grave crise

Washington, 3 Mar 2016 (AFP) - Os pré-candidatos republicanos à presidência dos Estados Unidos se enfrentam em um novo debate, nesta quinta-feira, com um partido mergulhado em uma grave crise diante da liderança de Donald Trump na corrida para a Casa Branca.

A situação caótica do partido ficou ainda mais visível hoje, quando o ex-candidato à presidência na eleição de 2012, o republicano Mitt Romney, lançou um dramático apelo aos eleitores conservadores para que ignorem a campanha de Trump. No mesmo pronunciamento, definiu o magnata como "falso" e "uma fraude".

Do alto do prestígio de que ainda goza no Partido Republicano, Romney afirmou que uma candidatura do bilionário levará, necessariamente, a uma catástrofe nas urnas em 8 de novembro. Diante disso, pediu que os eleitores escolham entre os outros pré-candidatos ainda na disputa: os senadores Ted Cruz e Marco Rubio, ou o governador de Ohio, John Kasich.

Em 2012, Mitt Romney foi derrotado pelo democrata Barack Obama, que se reelegeu.

Romney questionou a integridade moral de Trump, alegando que ele representa "o mesmo tipo de ódio que levou outras nações ao abismo".

Embora este ex-senador, ex-governador e ex-candidato à presidência não exerça nenhum cargo atualmente, sua posição é considerada a expressão majoritária na liderança do partido.

"Bem dito!", manifestou Kasich no Twitter, onde o senador conservador John McCain disse compartilhar "as preocupações" de Romney.

Sem poupar palavras em discurso no Maine, no nordeste dos Estados Unidos, Donald Trump reagiu às declarações. Segundo ele, Romney manifestou sua intenção de disputar a campanha este ano, mas se "acovardou" exatamente porque ele estava na corrida.

De acordo com Trump, Romney é "um irrelevante" porque também se "acovardou" na eleição de 2012, quando já havia conduzido "uma das piores campanhas na história da política moderna".

Dos 15 estados disputados nas prévias republicana este ano (11 primárias e quatro "caucuses"), Donald Trump venceu em dez deles, mantendo a liderança em número de delegados para garantir a indicação à presidência na Convenção Nacional Republicana. O evento está previsto para julho.

Todos contra TrumpHoje, antes mesmo do demolidor discurso de Romney, Trump se queixou amargamente na rede MSNBC pela forma como vem sendo tratado pelo Partido Republicano. Com cautela, cogitou a possibilidade de lançar sua candidatura de forma independente.

"Firmei uma carta de compromisso com o Comitê Republicano, mas não estou sendo tratado corretamente. Trouxe milhões de pessoas ao partido e vão descartar isso. Se participar como independente, ou não, essas pessoas ainda vão votar", disse.

As principais figuras do Partido Republicano não escondem mais de ninguém o pânico com uma candidatura de Trump e com a ausência de um oponente viável que represente o eleitorado conservador.

Pelo menos três dos maiores estrategistas republicanos - Karl Rove, Alex Castellanos e Gail Gitcho - já alertaram a cúpula do partido para os riscos da candidatura de Trump, não apenas em termos de uma divisão interna, mas de olho nas eleições de novembro.

Em um discurso na semana passada para governadores republicanos, Rove não fez rodeios e advertiu que uma candidatura de Trump seria "catastrófica" para o partido. Hoje, Castellanos disse ao jornal The Washington Post que já era "tarde demais" para tentar conter o bilionário.

Este quadro se complicou ainda mais na semana passada depois que o governador de Nova Jersey, Chris Christie - visto como um dirigente próximo à direção do partido -, anunciou seu apoio a Trump após jogar a toalha na corrida. Depois disso, Christie apareceu várias vezes ao lado de Trump, alimentando rumores sobre seu possível papel como vice na chapa do polêmico milionário.

Debate em tempo de criseÉ neste cenário que os pré-candidatos republicanos à presidência realizam este novo debate. O neurocirurgião aposentado Ben Carson não participará. Ontem, ele antecipou que prepara sua saída da campanha.

O último dos debates republicanos foi um espetáculo de agressões, ironias e acusações entre Trump, Cruz e Rubio. Hoje, em Detroit (Michigan, norte dos EUA), a receita que contribuiu para consolidar a marcha do bilionário pode se repetir.

Mesmo sem Trump na equação, a conjuntura se mantém crítica para os republicanos com os apelos urgentes de Cruz e de Rubio a unir forças contra o principal rival.

Referência do Tea Party, a ala mais conservadora do Partido Republicano, o senador Cruz também é um "inimigo" da direção partidária por sua negativa em seguir as orientações das bancadas.

Depois de vencer em Iowa, no início do mês, e no Texas, Oklahoma e no Alasca, na "Super Terça", Cruz fez um apelo aos demais concorrentes que desistam da corrida para alinhar forças contra Trump.

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