Presidente do Conselho Europeu vê consenso sobre migrantes pela primeira vez

Istambul, 4 Mar 2016 (AFP) - O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou nesta sexta-feira que, pela primeira vez desde o início da crise dos imigrantes, vê surgir um consenso europeu, às vésperas de uma cúpula crucial sobre o tema.

Tusk viajou para a Turquia três dias antes da cúpula em Bruxelas entre a União Europeia (UE) e Ancara, a qual será dedicada à crise.

"Pela primeira vez, desde o início da crise dos migrantes, posso ver emergir um consenso europeu. É um consenso em torno de uma estratégia global", declarou, em uma carta dirigida aos 28 países-membros do bloco.

"Na segunda, devemos confirmar esta abordagem. Com isso, vamos poder fechar a rota dos Bálcãs", afirmou Tusk, acrescentando que esta é a principal porta de entrada para a Europa, com 880.000 migrantes registrados em 2015 e 128.000 nos dois primeiros meses deste ano.

Em paralelo, o presidente francês, François Hollande, recebia na manhã desta sexta a chanceler alemã, Angela Merkel, no Eliseu para tentar encontrar juntos soluções à pior crise migratória no continente desde a Segunda Guerra Mundial.

Mais de 130.000 migrantes chegaram à Europa desde janeiro, segundo números do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

Ontem, cerca de 10.000 migrantes continuavam bloqueados na fronteira entre Grécia e Macedônia, aumentado a preocupação com uma grave crise humanitária.

"As pessoas estão angustiadas", comentou a delegada do Acnur Stella Nanou, acrescentando que "querem chegar à fronteira, têm medo de não poderem seguir caminho".

Mais de 1,25 milhão de pessoas, principalmente sírios, afegãos e iraquianos, pediram asilo nos países da UE em 2015, anunciou nesta sexta-feira o escritório europeu de estatísticas Eurostat.

Um recorde, este número se multiplicou por mais de dois em relação a 2014 (+123%), completou o comunicado do Eurostat.

No total, 1.255.600 pessoas pediram proteção internacional em um dos 28 países-membros da UE, 35% delas na Alemanha.

Em turnê regional pelos países na linha de frente da crise, Tusk exigiu na quinta-feira, a partir de Atenas, novas medidas para frear o fluxo migratório e solicitou aos migrantes econômicos que não se dirijam à Europa.

"Quero lançar um apelo a todos os migrantes econômicos ilegais potenciais, de onde forem. Não venham para a Europa. Não acreditem nos traficantes. Não coloquem suas vidas e seu dinheiro em risco. Tudo isso não servirá de nada", insistiu.

Salvar SchengenNesta sexta, a Comissão Europeia divulgou um plano que tem por objetivo fazer que o espaço de livre circulação de pessoas Schengen volte a funcionar normalmente até o fim de 2016.

"O objetivo é suspender todos os controles nas fronteiras internas até dezembro", indicou o executivo europeu, advertindo que o colapso do sistema custaria bilhões de euros à UE.

Nas últimas semanas, alguns países europeus impuseram, de forma unilateral, controles em suas fronteiras para conter a entrada de migrantes.

"Os países da rota dos Bálcãs ocidentais, incluindo os que não são membros da UE, estão prontos e determinados a voltar a aplicar as regras e as decisões comuns, entre elas as regras de Schengen", disse Tusk, falando da Turquia.

Ontem, Donald Tusk aproveitou a reunião com o primeiro-ministro turco, Ahmed Davutoglu, para afirmar que o fluxo migratório continua sendo "alto demais".

Ele também criticou as decisões unilaterais tomadas por alguns países da UE que impuseram quotas de entrada aos seus territórios que - disse - "prejudicam o espírito europeu de solidariedade".

"É necessário tomar novas medidas", estimou o funcionário europeu, que sugeriu a criação de um "mecanismo rápido e em grande escala destinado a expulsar os migrantes irregulares que chegam à Grécia".

O fechamento parcial das fronteiras nos países da rota dos Bálcãs, tomada pelos refugiados que desejam chegar ao norte da Europa, deixou milhares de migrantes bloqueados na Grécia. Esta última se tornou o principal porto de chegada de migrantes à Europa.

Tusk anunciou ainda que um fundo de crise da UE - de 700 milhões de euros - será utilizado para ajudar Atenas a enfrentar a massa de imigrantes em seu território.

Na quarta-feira, a Turquia disse estar disposta a assinar com 14 países um acordo de readmissão em seu território de migrantes clandestinos.

Em novembro, Ancara assinou com a UE um acordo, no qual se comprometia a conter o fluxo de migrantes em troca de uma ajuda de 3 bilhões de euros e de uma aceleração de seu processo de adesão ao bloco europeu. O acordo não trouxe, porém, os resultados esperados.

Davutoglu, cujo país acolhe 2,7 milhões de refugiados sírios, reiterou na quinta-feira que seu país está determinado a "fazer tudo o que for necessário" para conter esta crise.

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