Wall Street teme Trump na Casa Branca

Nova York, 4 Mar 2016 (AFP) - À primeira vista, Donald Trump é tudo o que Wall Street gosta: um bilionário cujo império imobiliário trouxe grandes negócios aos bancos e cujas torres de luxo abrigam ricos e famosos.

No entanto, seu surpreendente sucesso na luta para ganhar a indicação republicana para a presidência dos Estados Unidos esfriou os corações do capitalismo americano.

A lista de temores é longa: o presidente Trump poderá lançar uma guerra comercial com a China; poderá aumentar os impostos aos ricos; poderá interferir no Federal Reserve sobre a política monetária; as relações da Casa Branca com o Congresso poderão ser rompidas.

"Ele assusta os mercados. Ele é uma grande incerteza, disse Greg Valliere, da Horizon Investments. "O mercado não gosta da incerteza".

As empresas estão desconcertadas pelos comentários improvisados sobre assuntos cruciais de negócios e de economia feitos por Trump quase diariamente desde que sua campanha eleitoral foi lançada no ano passado.

Por um lado, denunciado os altos salários dos executivos, a ganância dos banqueiros e as vantagens tributárias dos ricos administradores de fundos de Wall Street.

Trump ameaçou a grande quantidade de imigrantes em situação ilegal, que permitem que as empresas americanas contem com uma grande oferta de trabalhadores com salários baixos.

Ele ataca a China e o Japão por manipular suas moedas para obter vantagens comerciais e ameaça iniciar uma guerra comercial com a China. Ao mesmo tempo, declarou sua oposição a dois importantes acordos de livre comércio que abarcam os oceanos Pacífico e Atlântico.

Além disso, criticou grandes empresas americanas, como Ford e Apple, por fabricarem fora do país.

Por outro lado, Trump corteja os líderes da indústria americana com promessas de cortes de impostos a seus negócios. Também elogia as habilidades de seu colega magnata Carl Icahn, um dos investidores ativistas mais exitosos de Wall Street, que se destaca por ser um dos poucos partidários de Trump com voz em Wall Street.

"Plataforma surtida""Ele não se encaixa em nenhum modelo econômico particular, ele não é só um conservador tradicional como Ronald Reagan", disse Mark Perry do American Enterprise Institute, um centro de análise conservador.

O ex-candidato presidencial Mitt Romney, que dirigiu a prominente firma de investimentos Bain Capital antes de entrar na política, deu voz na quinta-feira às preocupações da comunidade financeira, advertendo que com Trump "o país cairia em uma prolongada recessão".

"Ele não é um gênio dos negócios", afirmou.

Perry destaca uma de suas mais óbvias "hipocrisias", que é ter sua própria marca de roupa masculina Donald J. Trump fabricada na China, enquanto critica o país asiático pelos baixo salários pagos aos trabalhadores.

Chris Low, economista-chefe do FTN Financial, disse que alguns de seus clientes apreciam a postura de Trump sobre cortes de impostos às empresas. Mas eles também temem uma guerra comercial com a China, o que poderia afetar as companhias americanas.

"Vivemos em uma economia conectada globalmente", recordou Low.

Até agora, entretanto, os mercados não reagiram à sólida vantagem de Trump na contenda republicana à Casa Branca. Gerentes de fundos estão incertos sobre suas possibilidades frente à possível candidata republicana, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, disse Low.

"O sucesso de Trump para avançar provavelmente traga mais volatilidade", previu David Lafferty, da Natixis Global Asset Management.

Entre os banqueiros, o sentimento é principalmente anti-Trump. O chefe do Goldman Sachs, Lloyd Blankfein, destacou em setembro que o presidente dos Estados Unidos tem a faculdade de usar as armas nucleares. "A imagem do senhor com seu dedo sobre o botão passa pela minha cabeça", disse.

Muitos banqueiros contatados pela AFP não declararam abertamente seus temores sobre Trump, temerosos de possíveis represálias.

"Ele está loco, ele tem políticas loucas", disse um prominente banqueiro.

"Ele não sabe como dirigir um negócio", comentou outro. Como pode dirigir um país?"

Embora tenha enfrentado quatro quebras de empresas, Trump conta com uma fortuna no ramo imobiliário, estimada em 4,5 bilhões de dólares.

"Às vezes esquecemos que apesar de todas as coisas que faz -o modo de falar, o cabelo, os programas de televisão- ele sabe como construir, e sabe como fazer isso de uma maneira extraordinariamente eficiente e econômica", disse Gwenda Blair, autora do livro "The Trumps," sobre o magnata e sua família.

Qualquer que seja seu sentimento, Wall Street não tem uma alternativa clara, com as pesquisas mostrando os rivais republicanos de Trump, os senadores Ted Cruz e Marco Rubio, muito fracos para ganhar as primárias.

Alguns na comunidade financeira fortemente republicana estão preparados para dar seu apoio à democrata Hillary Clinton nas eleições de novembro se a outra opção for Trump.

"O mercado está nervoso com ele, disse Valliere. "Clinton é o demônio que conhecemos", acrescentou. "O mercado pode viver com ela".

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