Presidente Dilma trava batalha por sua sobrevivência política

Rio de Janeiro, 7 Mar 2016 (AFP) - A presidente brasileira, Dilma Rousseff, lutará esta semana por sua sobrevivência política no Congresso, nos tribunais e nas ruas, mas as possibilidades de consegui-lo estão minguando, afirmam analistas.

Dilma está confrontada no Congresso com a retomada de seu processo de impeachment por suspeita de maquiar contas públicas, enquanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estuda se sua campanha à reeleição teve financiamento ilegal.

Estas ameaças pareciam ter diminuído nas últimas semanas. Até mesmo a popularidade da presidente, que estava baixíssima, subia timidamente.

Mas na sexta-feira passada, lançou-se sobre o PT o que o analista Gabriel Petrus qualificou de "bomba atômica": a condução coercitiva do carismático ex-presidente Lula, mentor e antecessor de Dilma, para prestar depoimento à Polícia Federal sobre suposto favorecimento no âmbito da 24ª fase da Operação Lava Jato, que investiga a corrupção na Petrobras.

Lula é acusado de aceitar propina de empreiteiras envolvidas no megaescândalo 'Petrolão', que desviou US$ 2 bilhões da petroleira.

A cena extraordinária do poderoso ex-presidente obrigado a entrar em um carro da polícia, cercado de policiais armados elevou as tensões ao ponto de ebulição.

Os dois campos, a situação e a oposição, prometem agora levar a luta para as ruas do país, enquanto os partidos da oposição no Congresso esfregam as mãos com o novo impulso que o impeachment ganhou.

Nesta segunda-feira, Dilma acusou a oposição de querer "dividir o país". Os problemas do Brasil se devem à "sistemática crise política provocada por aqueles que estão descontentes, que perderam as eleições (presidenciais de 2014) e querem antecipar as eleições de 2018", lamentou.

Tudo ou nadaPetrus, da consultoria Barral M. Jorge Associados, de Brasília, disse que tanto Lula quanto Dilma estão contra as cordas, mas não se deixarão vencer facilmente.

"O PT terá uma estratégia do tudo ou nada", disse. "Acredito que os dois grupos estão se preparando para esta batalha".

O PT tentará demonstrar sua força com uma série de manifestações convocadas em grandes cidades para os dias 8, 18 e 31 de março.

Mas analistas acreditam que a participação será muito menor do que a dos protestos convocados pela oposição em todo o país para o próximo domingo, 13. Grandes multidões podem influenciar a decisão de legisladores de apoiar o impeachment contra Dilma.

David Fleischer, professor emérito de ciência política da Universidade de Brasília, disse que os procuradores estão "apertando o cerco" em torno de Lula, que nega ter recebido suborno de empreiteiras e assegura que a operação policial contra ele foi "um show midiático".

"Provavelmente estará na prisão em algumas semanas", previu Fleischer.

Mas como ficou demonstrado nos acontecimentos da sexta-feira, os simpatizantes do PT vêm os embates legais contra Lula e Dilma como um ataque da elite contra a própria essência do movimento de esquerda. E isto alimenta sua revolta.

Ex-amigos perigososPresidente do maior país da América Latina, Dilma, uma ex-guerrilheira que suportou a tortura, pode ver esgotadas suas habilidades de sobrevivência.

Analistas garantem que o destino de Dilma talvez não se decida nem nas ruas, nem no Supremo Tribunal Federal, mas em gabinetes de procuradores e policiais, onde ex-aliados e ex-amigos envolvidos no escândalo da Petrobras negociam delações premiadas para reduzir suas penas em troca de informações privilegiadas.

Segundo informações ainda não confirmadas, o ex-líder do PT no Senado, Delcídio Amaral, acusado de participar do 'Petrolão', se prepara para declarar que a presidente obstruiu as investigações sobre o imenso esquema de corrupção na petroleira. Sua suposta 'delação premiada' sacudiu o mundo político e poderia dar farta munição a quem defende o julgamento político da presidente.

Outras personalidades presas por suposta corrupção na Petrobras são Marcelo Odebrecht, presidente da empreiteira fundada pelo avô, e João Santana, o marqueteiro das campanhas eleitorais de Dilma e Lula.

"Haverá muitas outras delações premiadas, nova informação virá à tona", disse Fleischer, "e o Congresso retomará o processo de impeachment, provavelmente na semana que vem".

Dilma já aparece como uma figura solitária, com o Congresso paralisado e a economia atravessando o que parece ser a pior recessão em um século.

O prognóstico de Fleischer é brutal para ela: "Até o fim do ano, estará fora".

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