UE caminha para acordo com Turquia sobre crise migratória

Bruxelas, 8 Mar 2016 (AFP) - Os 28 líderes da União Europeia (UE) decidiram nesta segunda-feira, durante uma reunião de cúpula extraordinária, buscar um acordo sobre as propostas da Turquia para deter o fluxo migratório visando a reunião de 17 de março, informou o premiê luxemburguês, Xavier Bettel.

Se trabalhará sobre a proposta com a parte turca antes da próxima cúpula de março", que será celebrada em dez dias, escreveu Bettel ao final de uma cúpula extraordinária com a Turquia em Bruxelas.

"Todas as decisões enviam uma mensagem muito clara que os tempos de imigração irregular na Europa acabaram", disse o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, durante entrevista coletiva com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu.

"Obtivemos importantes avanços (...) sobre a crise migratória", assinalou o presidente francês, François Hollande.

"É um avanço que se torna real", assinalou a chanceler alemã, Angela Merkel, admitindo que ainda é preciso discutir o tema.

O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, surpreendeu os 28 líderes europeus nesta segunda-feira com "novas propostas" e também exigências.

Em Bruxelas, Davutoglu pediu à UE mais 3 bilhões de euros para acolher os refugiados sírios na Turquia, dobrando o valor da ajuda acertada em novembro.

Ancara está disposta a acelerar a implementação do acordo de readmissão, que prevê o retorno a partir de 1º de junho de migrantes "econômicos", que seriam, posteriormente, expulsos a seus países de origem. Os turcos estão dispostos a receber não apenas os imigrantes ilegais, mas também os refugiados sírios.

Mas a Turquia exige um pacote adicional de três bilhões de euros até 2018, além dos três bilhões já prometidos por Bruxelas para promover o acolhimento e integração de 2,7 milhões de refugiados sírios em seu solo.

Na declaração final em nome dos 28, Tusk "incorporou os elementos mais importantes da proposta turca, precisando que devem ser trabalhados visando a próxima cúpula" de 17 de março, disse uma fonte europeia à AFP.

Tusk cita a nova exigência financeira de Ancara, a antecipação para junho da liberação dos vistos para que os turcos entrem na UE e a abertura de novos capítulos nas negociações de adesão ao bloco europeu.

O objetivo desta declaração é que tenha "um efeito dissuasivo" para evitar uma nova chegada maciça de migrantes. A UE recebeu desde 2015 nada menos que 1,25 milhão de pedidos de asilo.

"Esta declaração deixa claro que apoiamos os pontos básicos e queremos implementá-los muito rapidamente", disse Merkel.

Já o primeiro-ministro britânico, David Cameron, advertiu que não participará de qualquer sistema de asilo comum da União Europeia.

"A Grã-Bretanha não se unirá a qualquer processo comum de asilo na Europa. Temos uma cláusula sobre isto sólida como uma rocha", destacou Cameron no Twitter.

"Não fazemos parte do espaço Schengen. Este status especial significa que conservaremos nossas fronteiras sólidas", assinalou Cameron.

O presidente do Conselho italiano, Matteo Renzi, advertiu que só aceitará firmar um novo acordo com a Turquia sob a condição de que se mencione explicitamente o respeito à liberdade de imprensa, segundo uma fonte diplomática.

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