EUA fazem nova rodada de prévias; Michigan é prato principal

Detroit, Estados Unidos, 8 Mar 2016 (AFP) - Os americanos voltavam às urnas, nesta terça-feira, para uma nova rodada das prévias partidárias, que tem Michigan como prato principal de um dia que segue com Donald Trump e Hillary Clinton como favoritos.

Republicanos e democratas votam hoje em Michigan e no Mississippi. No caso do Partido Republicano, também acontecem primárias em Idaho e "caucus" (assembleia de eleitores) no Havaí.

Berço tradicional da indústria automobilística americana, no norte do país, Michigan distribuirá o maior número de delegados para os dois partidos: 59 para os republicanos, e 147 para os democratas.

O dia deve servir para que Trump aumente seu favoritismo entre os outros três pré-candidatos republicanos, e para que Hillary amplie sua vantagem em relação ao carismático senador Bernie Sanders.

Em Michigan, o magnata do setor imobiliário aparece com pelo menos 36% das intenções de voto, contra 23% de seu principal oponente, o senador ultraconservador Ted Cruz, de acordo com uma pesquisa da Universidade Manmouth.

A primária republicana no Michigan também representa uma excelente oportunidade para John Kasich, o moderado governador do vizinho estado de Ohio, que espera poder surpreender.

Em uma enquete em nível nacional feita pelo jornal The Washington Post e divulgada nesta terça, Trump ainda lidera as intenções de voto, com 34%, seguido do senador Ted Cruz (25%), do também senador Marco Rubio (18%) e do governador de Ohio, John Kasich (13%).

Essa pesquisa mostra um cenário mais equilibrado. Em janeiro, por exemplo, Trump tinha uma vantagem de quase 20 pontos percentuais sobre seu rival mais próximo na briga pela indicação do partido.

Até agora, o bilionário de 69 anos venceu em 12 das 20 primárias ou "caucuses" disputados (New Hampshire, Carolina do Sul, Nevada, Alabama, Arkansas, Geórgia, Massachusetts, Tennessee, Vermont, Virgínia, Kentucky e Louisiana) e tem o maior número de delegados (384). Essa conta é crucial para garantir a candidatura na Convenção Nacional do partido, em julho.

- Todos contra Trump -Já Ted Cruz, o senador de 45 anos e representante da direita religiosa, foi claramente competitivo no Texas e nos estados vizinhos, surgindo como uma alternativa a Trump.

O movimento anti-Trump não esconde, porém, suas dúvidas em apoiar Cruz em detrimento do senador Marco Rubio (Flórida), de 44, estancado em um distante terceiro lugar com vitórias em apenas dois estados. Sua sobrevivência está em jogo na disputa de semana que vem, nas primárias da Flórida, onde o vencedor leva todos os delegados (99).

Essa tendência ficou em evidência com a circulação de vídeos de campanha, mostrando Trump como um vigarista. Aparentemente, os vídeos foram financiados por eleitores republicanos consternados com o fato de que um empresário que se diz tão próximo dos democratas possa ser o candidato do partido à Casa Branca.

Um dos vídeos reúne algumas das grandes grosserias de Trump nesta campanha e é apoiado pela organização American Future Fund. Em represália, o magnata lançou seu próprio vídeo, na Flórida, em um ataque frontal a Rubio.

O virulento vídeo chama Rubio de "corrupto", em referência a um velho caso de uso de cartões de crédito.

De acordo com Trump, Rubio "é um senador que é francamente impopular na Flórida. Não vai nunca ao Senado, e nunca vota. Tem uma das piores presenças da história".

Hoje, Cruz disse que "obviamente Donald (Trump) está frustrado e posso prever que haverá mais ataques. Esses ataques se tornarão mais pessoais, mas não vamos responder a eles".

- Crise de emprego -Entre os democratas, Hillary também é favorita no Michigan e especialmente no Mississippi (sul dos EUA), onde a comunidade negra representa uma parcela fundamental do eleitorado. Nas primárias realizadas até agora no sul do país, Hillary recebeu cerca de 70% dos votos dessa comunidade.

O grande troféu é Michigan. Ao redor de Detroit, esse estado concentra a indústria automotiva americana. A ex-secretária de Estado acusa Sanders de ter votado contra um plano de resgate do setor em 2008/2009.

"Eu votei a favor do plano de resgate do setor automobilístico, e ele votou contra", repetiu ela, na segunda-feira, durante a visita a uma fábrica de computadores.

Na verdade, Sanders votou a favor do dispositivo de ajuda, mas em votação posterior tentou bloquear os recursos usados para salvar o sistema bancário e parte das construtoras de automóveis.

"Bernie" insiste, por sua vez, em criticar o apoio de Hillary a acordos de livre-comércio que terminam custando milhões de empregos nos Estados Unidos e que afetaram, de forma direta no passado, a própria indústria automotiva de Michigan.

Nesta terça, a ex-primeira-dama sinalizou que já pensa na próxima fase: "quanto mais rápido me tornar a indicada (do partido), mais rápido poderei concentrar minhas atenções nos republicanos".

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