Rota dos Bálcãs se fecha para imigrantes e outras se abrem

Sófia, 8 Mar 2016 (AFP) - Todos os caminhos levam à Europa. Se a "rota dos Bálcãs" for totalmente fechada, os imigrantes vão buscar outros itinerários e, por isso, Bulgária e Albânia, países vizinhos da Grécia, já começam a reforçar suas fronteiras.

Durante um exercício conjunto de suas forças de segurança, no último sábado, na fronteira greco-búlgara, o primeiro-ministro Boïko Borisov anunciou o envio de mais 400 homens para esta área.

O local fica a menos de duas horas, por terra, da fronteira entre Grécia e Macedônia, onde milhares de sírios e de iraquianos estão bloqueados há dez dias.

"Temos material de vigilância sofisticado que nos permite conter a onda migratória", vangloriou-se Borisov na segunda-feira, durante uma cúpula da União Europeia e da Turquia.

Entrevistado pela rádio austríaca Ö1, nesta quarta-feira, o chefe da Autoridade Nacional contra o tráfico de pessoas, Gerald Tatzgern, disse que se detecta um "aumento da atividade" dos traficantes "dos grandes campos (de refugiados) da fronteira turco-síria" com destino "não apenas à Grécia como também diretamente da Turquia para a Bulgária, para depois seguir para a Romênia".

Mais ao sul, as rotas clandestinas também poderão se dividir entre Albânia e Itália.

'Rota do Adriático'Em breve, a Itália fornecerá meios logísticos e humanos complementares para ajudar a Albânia a controlar suas fronteiras, segundo diferentes fontes.

A "rota do Adriático" entre a costa albanesa e a região italiana de Apúlia (Puglia) foi usada em ondas maciças de imigração. Em 1991, milhares de albaneses transitaram por lá em precárias embarcações.

Entre Grécia e Albânia, os itinerários clandestinos através das montanhas viram milhares de imigrantes albaneses passarem para a Grécia nos anos 1990 e 2000. Esses caminhos são bem conhecidos dos traficantes.

"É muito cedo para dizer", considera o porta-voz do Escritório Internacional de Migrações (OIM) Leonard Doyle, ao ser questionado pela AFP sobre se os candidatos ao asilo, incluindo mulheres e crianças, buscarão esses perigosos caminhos.

"A pressão sobre a Europa para reduzir as saídas da Turquia é enorme, e isso pode funcionar", completou.

Durante a cúpula UE-Turquia em Bruxelas, ontem, Ancara propôs uma "troca" de refugiados. A proposta é que a Turquia readmita os refugiados sírios que chegaram de forma ilegal à UE - em particular às ilhas gregas - e que os europeus admitam, por sua vez, por vias legais e seguras, a mesma quantidade de refugiados sírios que estão na Turquia.

Vários obstáculosO "corredor migratório" por onde mais de 850.000 imigrantes atravessaram em 2015, indo da Grécia até Alemanha, Áustria, ou Suécia, passando por Macedônia ou por outros países da antiga Iugoslávia, não foi oficialmente fechado. Agora, porém, não se deixará passar mais do que alguns sírios, ou iraquianos.

Já a Bulgária ergueu, em sua fronteira terrestre com a Turquia, de 259 km, um muro ao longo de 30 km, o qual será prolongado até 130 km. Cerca de 2.000 policiais já foram enviados para a região.

Mais ao norte, um desvio pela Romênia é ainda mais complicado: apenas duas pontes unem este país com a Bulgária, e uma travessia de barco pelo Danúbio "seria detectada pelos guardas de fronteira", segundo Vessela Tcherneva, do Centro Europeu de Análise de Política Externa em Sófia.

Outro obstáculo: a Hungria, que já fechou suas fronteiras com a Croácia e com a Sérvia, iniciou obras para fazer o mesmo em sua fronteira com a Romênia.

País mais pobre da UE, a Bulgária tem a reputação de ser pouco hospitaleira com os imigrantes. Em 2015, registraram-se neste país cerca de 30.000, enquanto outros passavam clandestinamente por seu território. Várias ONGs denunciaram maus-tratos aos refugiados por parte das forças de segurança.

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