Primeira vacina contra zika não ficará pronta em menos de três anos

Genebra, 9 Mar 2016 (AFP) - Um perfil da vacina contra o vírus da zika pode ser traçado até maio, disse nesta quarta-feira a OMS, embora os especialistas brasileiros não acreditem que o primeiro tratamento eficaz fique pronto antes de três anos.

"Talvez em três anos teremos uma vacina. Três anos, ainda otimista", disse à imprensa em Genebra o professor Jorge Kalil, diretor do instituto de pesquisa brasileiro Butantan.

"Provavelmente precisaremos de um ano para realizar os primeiros testes clínicos. Depois, veremos", disse a diretora-adjunta da Organização Mundial da Saúde (OMS), Marie-Paule Kieny. "Portanto, é possível que as vacinas cheguem tarde demais para (parar) a atual epidemia na América Latina", acrescentou.

Cientistas e representantes dos países afetados pelo vírus estão reunidos desde segunda-feira em Genebra para discutir o estado atual da investigação.

Os especialistas decidiram continuar a pesquisa em três eixos prioritários: o desenvolvimento de testes para outros vírus relacionados à zika (como dengue e Chikungunya), vacinas inativadas para mulheres em idade fértil e ferramentas inovadoras para o controle do mosquito, disse a OMS em comunicado.

Especificamente, um perfil da vacina deve ser estabelecido em maio. Além disso, antes de meados de abril deve estar pronto outro desenho de ferramentas de diagnóstico. Além disso, deve se reunir na próxima semana comitê de emergência da OMS para discutir maneiras diferentes para combater a nocividade dos mosquitos, como inseticidas ou a introdução de mosquitos geneticamente modificados ou irradiados.

Transmitido por um mosquito tipo Aedes aegypti e responsável por uma grande epidemia na América Latina, o vírus da zika causa na maioria dos casos sintomas de gripe leve (febre, dor de cabeça, dor muscular).

No Brasil, as autoridades estabeleceram que centenas de bebês cujas mães foram infectadas pelo vírus sofriam de microcefalia, uma malformação grave e irreversível caracterizada por um tamanho anormalmente pequeno do crânio.

Na terça, a OMS aconselhou as mulheres grávidas a não viajarem para áreas afetadas, embora a ligação entre a zika e a microcefalia ainda não tenha sido cientificamente provada - mas as informações sobre este vírus são realmente "alarmantes".

Segundo a OMS nesta quarta-feira, atualmente, há vacinas em análise em pelo menos 18 laboratórios e agências nacionais de investigação, segundo a OMS. Nenhuma destas vacinas até agora foram testadas em seres humanos.

O Brasil é o mais afetado no mundo, com cerca de um milhão e meio de casos desde 2015, seguido de longe pela Colômbia.

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