Violência contra a mulher atinge 50% das habitantes de Buenos Aires

Buenos Aires, 10 Mar 2016 (AFP) - Em Buenos Aires e sua periferia, cerca de 50% das mulheres sofreu em algum momento violência psicológica e três em cada dez foram vítimas de violência física por seus parceiros ou ex-companheiros - alertou nesta quinta-feira à AFP a especialista Natalia Gherardi.

"Sabemos que uma de cada duas mulheres viveu violência psicológica ao longo da vida por parte de um parceiro ou ex-companheiro, três de cada dez violência física e duas em cada dez violência sexual. Dessas, apenas 20% denunciou à justiça", disse Gherardi, diretora da Equipe Latino-americana de Justiça e Gênero.

A especialista alertou para o "altíssimo nível de incidência da violência" de gênero na sociedade que, segundo ela, leva "à violência extrema, que é o feminicídio".

Entre as que sofrem violência, apenas duas de cada dez denuncia o que ocorre e oito nunca terão auxílio jurídico. Entre as que recorrem à justiça, a maioria leva até dez anos para conseguir chegar ao final do processo, afirmou.

Gherardi participou na capital argentina da apresentação de um Informe sobre Feminicídios, elaborado pela Defensoria-Geral da Nação e Anistia Internacional Argentina, e outros dois documentos sobre violência de gênero, divulgados na semana do Dia Internacional da Mulher.

"Apenas na cidade de Buenos Aires, o Escritório de Violência Doméstica da Suprema Corte recebeu 10.573 denúncias em 2014, das quais 79% tinham como afetadas mulheres e meninas", mostra o relatório.

Um denominador comum nos documentos é alertar sobre a falta de estatísticas oficiais para projetar as políticas de combate necessárias.

"A Argentina evitou por anos sua obrigação de fornecer informações oficiais sobre a violência extrema que é o feminicídio até que o Escritório da Mulher da Suprema Corte gerou um registro, com base em informações do judiciário de cada uma das províncias", explicou Gherardi.

Segundo esse registro, em 2014 houve na Argentina 225 feminicídios, número muito próximo ao estimado pela ONG Casa do Encontro, a única que durante anos elaborou estatísticas.

Segundo a ONG, na Argentina morre uma mulher a cada 30 horas vítima de feminicídio.

"O feminicídio ocorre num contexto geral de desigualdade de gênero e, por isso, não é suficiente abordá-lo apenas por meio de políticas penais", disse Gherardi. "A violência é cultural", lamentou.

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