Denúncias do MP de São Paulo serão encaminhadas ao juiz Sérgio Moro

São Paulo, 14 Mar 2016 (AFP) - A juíza Maria Priscila Ernandes Veiga de Oliveira, que devia se pronunciar sobre o pedido de prisão preventiva contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feito pelo Ministério Público de São Paulo, decidiu transferir o caso para o juiz federal Sérgio Moro, a cargo da 'Operação Lava Jato'.

A decisão foi tomada pelo tribunal de primeira instância de São Paulo, que recebeu a denúncia contra Lula por "ocultação de patrimônio", um crime relacionado à lavagem de dinheiro.

"As denúncias apresentadas pelo Ministério Público contra o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva devem ser encaminhadas à 13ª Vara Federal de Curitiba/PR", onde tramitam processos da chamada 'Operação Lava Jato', a cargo do juiz Sérgio Moro, informou o juízo da 4ª Vara Criminal Central, onde atua a magistrada.

A denúncia do MP de São Paulo se concentrava em um apartamento do qual o ex-presidente negava ser proprietário e que o relacionaria supostamente com uma empreiteira envolvida no escândalo do 'Petrolão'.

Mas também está na mira de Moro, que ordenou o envio de homens da Polícia Federal ao apartamento de Lula em São Bernardo do Campo há dez dias para depor sob condução coercitiva.

Na ocasião, os investigadores interrogaram o ex-presidente sobre os supostos favores com os quais poderosos grupos da construção envolvidos no esquema teriam-no beneficiado.

"É inegável o vínculo entre todos estes casos da 'Operação Lava Jato', assim como o vínculo daqueles com este processo, em que se imputa a prática de crimes a várias pessoas pela cessão do apartamento ao ex-presidente e sua família", ressaltou o comunicado da juíza.

Moro ainda deve decidir se aceita o caso.

A defesa do ex-presidente já tinha alegado a existência de conflito de jurisdição entre as justiças de São Paulo e federal, que investigam os mesmos fatos.

Os problemas judiciais do ex-presidente Lula (2003-2010) agravaram a crise política no Brasil, e acirram os ânimos contra sua herdeira política, Dilma Rousseff, ameaçada por um processo de impeachment e pelo forte descontentamento popular que no domingo levou mais de três milhões de pessoas às ruas para pedir sua destituição.

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