UE suspende ajuda direta ao governo do Burundi por violência

Bruxelas, 14 Mar 2016 (AFP) - A União Europeia (UE) suspendeu oficialmente nesta segunda-feira sua ajuda direta ao regime do presidente Pierre Nkurunziza em resposta à violência que atinge o Burundi, e para obrigar as autoridades do país a dialogar com a oposição.

A UE "suspendeu a ajuda financeira direta à administração do Burundi, inclusive a ajuda financeira, mas mantém integralmente o financiamento à população e sua ajuda humanitária", afirma em um comunicado.

A UE é o primeiro doador do Burundi, com uma ajuda global de 430 milhões de euros para o período 2015-2020.

A decisão foi tomada pelos 28 ministros das Relações Exteriores do bloco reunidos em Bruxelas. Era esperada após o fracasso em dezembro do diálogo entre a UE e o governo do Burundi exigido por Bruxelas devido à violência que atinge o país.

"A situação no Burundi continua sendo preocupante para UE. (...) A decisão tomada indica claramente que, para que nossas relações sejam retomadas, esperamos que sejam tomadas algumas medidas concretas", disse a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, em um comunicado.

Mogherini pede a retomada do "diálogo interburundinês liderado pela mediação da Comunidade da África Oriental, que tem um papel essencial na busca de uma solução política duradoura à crise".

O Burundi está afundado em uma greve crise política com episódios de violência desde abril de 2015, quando Nkurunziza anunciou que se apresentava para um terceiro mandato presidencial.

A oposição se opôs, alegando que o presidente violava a Constituição e o acordo de Arusha, que colocou fim à guerra civil entre 1993 e 2006, que deixou 300.000 mortos.

Nkurunziza foi reeleito em julho passado.

Desde o início da crise 400 pessoas morreram e 240.000 deixaram o país.

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