Vaticano retoma julgamento do escândalo Vatileaks

O Vaticano retomou nesta segunda-feira o polêmico julgamento de cinco pessoas, entre elas dois jornalistas italianos e um sacerdote espanhol, acusadas de divulgar documentos confidenciais sobre má gestão de recursos e desperdício na Santa Sé.

A audiência pública do julgamento do chamado "Vatileaks 2" foi iniciada às 16H00 (12H00 de Brasília), com a comparecimento dos acusados na sala do tribunal.

Um grupo limitado de jornalistas teve acesso à sala como previsto desde a abertura do julgamento, em 24 de novembro.

O sacerdote espanhol Lucio Ángel Vallejo Balda, de 54 anos, que está em prisão domiciliar no Vaticano, a consultora italiana Francesca Immacolata Chaouqui, de 34 anos, e um colaborador de Vallejo, Nicola Maio, de 37 anos, foram acusados de formação de "associação criminosa" com a finalidade de divulgar notícias e documentos confidenciais aos quais tinham acesso graças ao próprio cargo no Vaticano.

Os dois jornalistas, os italianos Gianluigi Nuzzi e Emiliano Fittipaldi, autores de livros sobre a corrupção na Cúria Romana, lançados em 5 de novembro passado, foram acusados de "divulgação ilícita" de documentos confidenciais.

Trata-se da primeira vez que o menor Estado do mundo processa dois jornalistas, algo que a imprensa italiana qualificou de "nova Inquisição".

"A informação não pode ser parada com julgamentos", escreveu nesta segunda-feira em seu Twitter, pouco antes da audiência, o jornalista Nuzzi.

"Limitei-me a cumprir com meu dever de jornalista. Este é um processo por um vazamento de notícias e não por difamação. Todas as notícias publicadas são verdadeiras", declarou, por sua vez, Fittipaldi.

A divulgação de documentos reservados "contra a segurança do Estado" é um crime introduzido pelo papa Francisco, em julho de 2013 e é punido com uma pena de 4 a 8 anos de prisão.

O tribunal do Vaticano voltou a ordenar na semana passada a prisão do sacerdote Lucio Vallejo Balda na sede da Gendarmeria vaticana em razão da "violação da proibição de comunicação com o exterior", uma pré-condição para a prisão domiciliar, segundo fontes do Vaticano.

No sábado, depois de três meses e meio de recesso, foi realizada uma sessão particular a portas fechadas com especialistas e juízes, sem a presença dos acusados, durante a qual foi examinada uma série de assuntos técnicos.

O tribunal aceitou analisar como provas os e-mails, mensagens e conversas via WhatsApp entre os acusados, alguns deles com detalhes picantes, segundo a imprensa italiana.

Chaouqui, que está grávida de sete meses, chegou nesta segunda-feira vestida de preto, acompanhada por quatro guarda-costas, como uma estrela de televisão.

Vallejo Balda e Chaouqui fizeram parte da antiga Comissão de Especialistas COSEA nomeada pelo papa Francisco para fazer propostas de reformas sobre as finanças e a economia do Vaticano.

A defesa de Chaouqui tentou, em vão, argumentar que o crime de que é acusada - divulgação de documentos confidenciais - foi cometido em território italiano, portanto, fora da jurisdição da justiça do Vaticano. E pediu em vão que Chaouqui fosse julgada na Itália como "refugiada política".

O novo escândalo de vazamentos de documentos confidenciais do Vaticano é o segundo depois do ocorrido em 2012 na comitiva de Bento XVI, apelidado de "Vatileaks". Ele afeta indiretamente o papa Francisco, engajado em uma difícil reforma da Cúria e determinado a continuar com sua luta contra a corrupção.

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