Dilma nega com 'veemência' ter mandado calar Delcídio

Brasília, 15 Mar 2016 (AFP) - A presidente Dilma Rousseff distanciou-se nesta terça-feira das declarações do seu ministro da Educação, Aloísio Mercadante, que admitiu mais cedo ter contatado o ex-líder do governo no Senado Delcídio Amaral, investigado por envolvimento no escândalo do 'Petrolão', para discutir sua delação premiada.

Em nota do Palácio do Planalto, Dilma anunciou que "repudia com veemência e indignação a tentativa de envolvimento do seu nome na iniciativa pessoal do ministro Aloízio Mercadante", denunciado na delação premiada de Delcídio Amaral por oferecer apoio político e financeiro para que não cedesse à colaboração.

Delcído Amaral revelou em sua delação premiada que Mercadante atuou "como emissário da presidente" para pedir que ele "tivesse calma e avaliasse muito bem sua conduta diante da complexidade do momento político", segundo documentos divulgados pela Justiça.

Mercadante, figura histórica do PT e atual ministro da Educação, negou qualquer tentativa de suborno para convencer Amaral a desistir da delação premiada.

Em entrevista coletiva, Mercadante afirmou que "jamais" tentou impedir o senador Delcídio do Amaral de firmar um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

"Jamais tentei impedir a delação (...). Em nenhum momento disse: 'não pode delatar'.

Mercadante convocou a entrevista para se defender da delação. Na coletiva, o ministro comentou trecho da conversa que teve com o assessor em que ele pede "calma" a Delcídio para não ser um "agente de desestabilização" e para não receber uma "responsabilidade monumental" por, eventualmente, ter sido.

Conforme a delação premiada de Delcídio, as reuniões entre Mercadante e seu assessor Eduardo Marzagão ocorreram nos dias 1 e 9 de dezembro de 2015, quando o senador ainda estava preso.

Delcídio só foi liberado da prisão após decisão de 19 de fevereiro do ministro Teori Zavascki, relator dos processos da Lava Jato no Supremo.

Antes da coletiva, Mercadante seu reuniu nesta terça-feira com Dilma, cujo governo é abalado por uma longa sequência de denúncias de corrupção ligadas ao escândalo do Petrolão.

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