Madre Teresa: uma vida a serviço dos necessitados

Cidade do Vaticano, 15 Mar 2016 (AFP) - Uma religiosa que dedicou a vida a serviço dos pobres e necessitados, Madre Teresa de Calcutá será canonizada em 4 de setembro em uma cerimônia solene presidida pelo papa Francisco, que a considera um exemplo de solidariedade e entrega, mas também de tenacidade e pragmatismo.

Sempre envolta em seu sari de algodão branco com borda azul, Madre Teresa foi durante a segunda metade do século XX o símbolo da defesa incansável dos pobres.

Ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1979 e será declarada santa 19 anos após sua morte, em 1997.

A canonização, obtida graças a um segundo milagre registrado no Brasil - uma cura inexplicável -, acontece justamente no ano que o pontífice argentino consagra à Misericórdia, com um jubileu extraordinário.

A Igreja católica da Índia preferiria que a cerimônia fosse celebrada em Calcutá, onde Madre Teresa passou boa parte de sua vida, mas as autoridades eclesiásticas programaram o evento para Praça de São Pedro para honrá-la no maior templo o cristianismo.

Nascida em 26 de agosto de 1910 em uma família albanesa em Skopje, capital da atual república da Macedônia, que pertencia na época à Albânia, Gonxhe Agnes Bojaxhiu entrou em 1928 para a ordem religiosa Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, cuja sede central é na Irlanda, e adotou o nome de Teresa em homenagem à Santa Teresa de Lisieux.

Enviada para Calcutá, na Índia, lecionou ali durante vários anos em uma escola para meninas de classe alta, antes de receber a "chamada das chamadas", a vocação de servir a Deus através dos pobres.

O arcebispo de Calcutá na época, Fernando Periers, se negava a deixá-la sair de sua ordem, dizendo que era muito jovem para esse trabalho apesar de ter 37 anos de idade e tachando Madre Teresa de "novata incapaz de iluminar corretamente uma vela".

Mas ela conseguiu o apoio de seus superiores e até mesmo do papa Pio XII.

No início de 1948 passou a viver nos bairros pobres de Calcutá, onde suas ex-alunas se transformaram a seu lado nas primeiras Missionárias da Caridade.

Em 1952, ao ver uma mulher moribunda abandonada na rua com os pés roídos pelos ratos, algo que a comove profundamente, decidiu se dedicar completamente a uma nova tarefa: ajudar os mais pobres entre os pobres.

Após muitos pedidos às autoridades da cidade, conseguiu que cedessem um velho prédio para abrigar os doentes de tuberculose, disenteria e tétano, aqueles que nem os hospitais queriam atender.

Milhares de necessitados passaram por esse "hospital": muitos encontraram uma morte digna, sempre no respeito à sua própria religião, outros se recuperaram graças aos cuidados das freiras.

Em Calcutá, Madre Teresa abriu também um orfanato, Sishu Bhavan, e um centro para leprosos, o Shantinagar, onde atualmente são feitos os saris brancos com borda azul que usam as 4.500 Missionárias da Caridade espalhadas por mais de 100 países.

Vida austeraNa sede da congregação, em Calcutá, localizada em uma avenida da grande metrópole da Índia, Madre Teresa, famosa e premiada em todo o mundo por seu trabalho, levou sempre uma vida austera, compartilhou com noviças e candidatos, trabalhou sem descanso.

Ali morreu em 5 de setembro de 1997, aos 87 anos, e seu túmulo geralmente está coberto de pétalas de flores como uma homenagem à sua figura.

Dotada do 'feeling' para os negócios, em uma ocasião perguntou ao papa João XXIII se as riquezas do Vaticano poderiam ser utilizadas para os pobres.

O papa doou um Rolls Royce, que vendeu rapidamente por um bom preço em um leilão.

Durante o papado de Paulo VI, a congregação se espalhou pelo mundo e chegou a fundar casas na América Latina, em particular na Venezuela.

O papa João Paulo II reconheceu publicamente sua admiração por essa freira pequena e ao mesmo tempo firme, em meados dos anos 80, benzendo a pedra fundamental da casa que abriu em Roma para acolher os pobres.

O papa Francisco, que a conheceu em 1994, reconheceu que ficou impressionado por seu caráter forte, que daria "medo" se ela fosse sua superior.

Madre Teresa costumava dizer que sua contribuição era somente uma "gota em um oceano de sofrimentos", mas que "se não existisse, essa gota faria falta no mar".

Seus detratores a acusavam de receber presentes sem perguntar de onde vinham e de ser uma opositora ardente do aborto e da pílula anticoncepcional, e de utilizar seu prestígio para denunciar essa prática em todo o mundo.

Durante o processo para sua beatificação foi descoberto que sofria de crises religiosas e que chegava a colocar em questão a existência de Deus.

"Jamais vi me fecharem uma porta. Acredito que isso acontece porque veem que não vou a pedir, sim a dar. Hoje em dia está na moda falar dos pobres. Infelizmente não estão falando com eles", já disse.

Ao morrer, o governo indiano a concedeu um funeral com honras de Estado e seu caixão passou por toda a cidade na mesma carruagem em que foram levados os restos de Mahatma Gandhi.

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