Operação policial ligada a ataques em Paris termina com um morto em Bruxelas

Bruxelas, 16 Mar 2016 (AFP) - Um suspeito armado com um fuzil Kalashnikov morreu nesta terça-feira em uma operação policial em Bruxelas, a qual prosseguia à noite, depois de uma troca de tiros que deixou, ainda, quatro policiais feridos.

A operação está vinculada aos atentados de novembro do ano passado, em Paris, e contou com a participação de policiais belgas e franceses.

O primeiro-ministro belga, Charles Michel, informou em uma breve coletiva de imprensa que "as operações continuam" na capital belga, depois de terem sido registrados ao menos três tiroteios à tarde na comuna de Forest.

Os incidentes começaram quando policiais belgas e franceses, no âmbito de uma operação conjunta, foram fazer uma "busca de rotina" por volta das 14h GMT (11h de Brasília).

Nesta busca, "uma ou várias pessoas atiraram imediatamente contra a polícia, assim que a porta se abriu", ferindo levemente quatro policiais, entre eles uma francesa, informou a Procuradoria federal belga em um comunicado.

Surpreendida, a Polícia organizou, então, uma importante operação com as forças especiais e cercou o local.

Em um ataque a esta residência, "um suspeito armado com uma arma de guerra tipo Kalashnikov morreu (...) por volta das 18h15 (17h15 GMT)", ou 14h15 de Brasília.

O suspeito morto ainda não foi identificado pela Procuradoria, que pouco antes assegurou não se tratar de Salah Abdesalam. As autoridades suspeitam de que Abdesalam tenha desempenhado um papel-chave na logística dos atentados de 13 de novembro, em Paris, no qual morreram 130 pessoas.

Neste primeiro tiroteio com a polícia, três oficiais ficaram feridos, entre eles a agente francesa.

Alguns suspeitos, sem que se saiba no momento quantos, conseguiram fugir para se esconder em outra residência do setor, imediatamente cercada pela polícia. Neste imóvel, outro tiroteio foi registrado, e um policial ficou ferido.

O prefeito de Forest, Marc-Jean Ghyssels, disse acreditar que os dois autores do tiroteio haviam se escondido na casa.

Por volta das 16h30, quando o perímetro de segurança foi ampliado com um dispositivo reforçado de agentes, uma breve troca de tiros foi ouvida por um jornalista da AFP no local.

Dezenas de membros das forças de segurança, armados com metralhadoras e armas longas, isolaram o setor, sobrevoado por um helicóptero, constatou a AFP no local.

Duas escolas e duas creches próximas ao local dos fatos puderam ser evacuados, depois de horas com as portas fechadas. Dezenas de moradores da região não conseguiram, porém, voltar para suas casas na noite de terça.

"A investigação continua ativamente, tanto de dia quanto de noite", acrescentou a Procuradoria no comunicado.

Bruxelas, 'celeiro' de radicaisAs casas revistadas ficam perto da estação de trens internacionais, que ligam Bruxelas a Paris, Londres, Amsterdã, ou Duesseldorf.

O ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, confirmou à tarde que a polícia francesa participava da primeira operação, no âmbito da cooperação reforçada entre Bélgica e França desde os atentados de Paris.

Quatro dos nove autores dos atentados de Paris eram belgas, e os ataques teriam sido organizados nesta capital.

No dia seguinte aos ataques, reivindicados pelo grupo Estado Islâmico, perdeu-se o rastro em Bruxelas de um dos principais suspeitos, Salah Abdeslam. Foi seu irmão que detonou os explosivos que levava consigo nas ruas de Paris.

A fuga deste suspeito obrigou as autoridades belgas a elevar ao máximo o alerta terrorista, bem como o fechamento de prédios públicos e a suspensão do transporte público por cinco dias, com base em uma "ameaça iminente".

Uma fonte policial francesa informou que a operação policial em Bruxelas não visava a encontrar Salah Abdesalam.

Desde os ataques, a Justiça belga realizou várias batidas.

Em janeiro, as autoridades belgas fizeram buscas em dois apartamentos e em uma casa usada por Abdesalam e por outros suspeitos antes dos ataques.

Em um dos apartamentos, foram encontrados rastros de uma digital de Abdesalam, assim como vestígios do mesmo explosivo usado pelos terroristas em Paris e o desenho de uma pessoa usando um cinto com explosivos.

As autoridades também encontraram traços do DNA de Bilal Hadfi, outro dos atacantes.

A Bélgica deteve 11 pessoas, acusadas de terrorismo e que estariam ligadas a esses ataques. Oito continuam detidos.

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