Padre espanhol acusa colaboradora de responsabilidade por VatiLeaks 2

Cidade do Vaticano, 15 Mar 2016 (AFP) - O padre espanhol Ángel Lucio Balda, julgado juntamente com outras quatro pessoas por um tribunal do Vaticano pelo vazamento de documentos confidenciais, acusou sua colaboradora Francesca Chaouqui, nesta terça-feira, de ser a verdadeira responsável pelo escândalo VatiLeaks 2, uma espiã infiltrada na Santa Sé.

"Vangloriava-se de ter muita informação sobre minha vida privada, minhas propriedades e meus problemas com as autoridades fiscais", admitiu o religioso.

Ontem, no tribunal, ele reconheceu ter entregue a dois jornalistas as senhas de documentos confidenciais sobre as obscuras finanças do Vaticano.

Ligado ao Opus Dei, o religioso espanhol descreveu aos juízes as pressões que sofreu de Francesca, sua jovem colega laica da extinta Comissão Pontifícia para a Organização das Estruturas Econômicas e Administrativas da Santa Sé (COSEA), com quem trabalhou por quase um ano.

"Sentia-me ameaçado. Podia me fazer muito mal", disse Balda durante a audiência de quase duas horas, dedicada à sua relação com Chaouqui, suas conversas, as refeições juntos, as trocas de correspondência e os contatos com personalidades influentes da Itália.

Grávida de seis meses, Francesca Chaouqui pode, inclusive, ter vínculos com a máfia, garantiu Balda.

Na terça, o espanhol apresentou à corte e à imprensa que cobre o caso sua monografia de graduação da Universidade de Roma, dedicada aos juízes Giovanni Falconi e Pablo Borsellino, célebres juízes antimáfia assassinados pela Cosa Nostra nos anos 1990.

"Acusar-me de ser da máfia, a mim, que nasci na Calábria, é o pior ataque que podem fazer contra mim", protestou.

"Mundo perigoso"Especialista em Comunicações, Chaouqui ouvia com atenção cada declaração, agitava-se, movimentava a cabeça em algumas ocasiões e chegou a se irritar quando Balda falou das ameaças das quais teria sido vítima, bem como das curiosas reuniões organizadas por ela com influentes políticos e empresários italianos.

"Vou te destruir perante a imprensa e sabe que posso fazer isso", escreveu a consultora em uma mensagem, uma ameaça que, para o sacerdote, confirmava o pertencimento a "um mundo perigoso", como os serviços secretos italianos.

Chaouqui, que não troca nem uma palavra com Balda, apesar de se sentar ao seu lado no tribunal, foi acusado pelo sacerdote de ser a verdadeira instigadora do escândalo, uma manipuladora.

"Senti que sabia de muitas coisas sobre mim (...), me senti, inclusive, seguido", contou o padre espanhol.

A consultora, que repentinamente saiu correndo da sala com a mão na boca, precisou ser atendida pelos médicos do Vaticano.

Em seguida, seu advogado explicou que sua cliente poderia vir a precisar de internação devido à gravidez, razão pela qual não se exclui que o julgamento seja adiado até que tenha alta.

O julgamento afeta indiretamente o papa Francisco, comprometido com uma difícil reforma da cúria romana, após estar envolvida em casos de corrupção de má gestão de seus recursos.

O processo foi retomado na segunda-feira, após três meses de recesso com o comparecimento de quase todos os envolvidos. Cinco pessoas estão sendo julgadas, entre elas dois jornalistas italianos, pelo vazamento de documentos confidenciais sobre as finanças da Santa Sé.

A próxima audiência foi marcada para a sexta-feira, embora possa ser adiada, devido ao estado de saúde de Francesca Chaouqui.

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