Vaticano quer aguardar resultado de investigação por pedofilia na França

Cidade do Vaticano, 15 Mar 2016 (AFP) - O Vaticano pediu nesta terça-feira que seja aguardado o resultado da investigação aberta contra o cardeal francês Philippe Barbarin, arcebispo de Lyon, acusado de ter acobertado um padre pedófilo.

"A justiça francesa acaba de abrir uma investigação. Então acredito que o mais oportuno é esperar o resultado. E, independentemente do resultado, queremos manifestar todo o respeito e estima ao cardeal Barbarin", afirmou em um comunicado o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.

O cardeal Philippe Barbarin, arcebispo de Lyon (leste), estava nesta terça-feira no olho do furacão do escândalo de pedofilia que atinge a Igreja Católica da França, com a revelação de uma nova demanda judicial e o apelo do primeiro-ministro Manuel Valls para que "assuma suas responsabilidades".

A declaração de Valls, que pediu ao cardeal "não apenas palavras, mas atos", aumentou a pressão sobre o monsenhor Barbarin, uma das figuras mais influentes da igreja francesa, acusado por vítimas de sacerdotes pedófilos de não ter denunciado estes atos que conhecia.

"Jamais acobertei o menor ato de pedofilia", declarou Barbarin em uma coletiva de imprensa em Lourdes, onde a Conferência Episcopal Francesa está reunida.

O cardeal respondeu a Valls: "o primeiro-ministro me pede que assuma minhas responsabilidades, e eu prometo que as assumo", disse, acrescentando que o chefe de governo "conhece melhor do que eu as leis da República" e sabe que é preciso "respeitar a presunção de inocência".

Ao lado de Barbarin, o arcebispo de Marselha e presidente da Conferência Episcopal Francesa, Georges Pontier, foi irônico ao declarar: "Admiro o laicismo de nosso país" (na França, a separação da Igreja e do Estado está inscrita na lei).

Na segunda-feira foi anunciado que uma nova demanda judicial foi apresentada contra o cardeal, que há um mês está envolvido em outro caso sobre agressões sexuais cometidas pelo sacerdote Bernard Preynat contra jovens escoteiros de Lyon entre 1986 e 1991.

Peyrat, que seguiu em atividade até agosto de 2015, reconheceu os crimes e foi acusado em 27 de agosto.

Mas suas vítimas também apresentaram uma demanda por "não denúncia" destas agressões contra vários hierarcas da diocese, entre eles o monsenhor Barbarin.

Posteriormente, um homem, vítima de outro sacerdote pedófilo no início dos anos 1990, apresentou uma demanda judicial contra Barbarin, acusando-o também de não ter feito nada quando foi informado desta agressão, em 2009.

Sem citar especificadamente o monsenhor Barbarin, a justiça francesa abriu duas investigações a partir destas demandas, uma delas por "não denúncia" e outra por "colocar em risco a vida de outro".

O cardeal, que na segunda-feira pediu em um comunicado que sejam respeitados "seus direitos, sua honra e a presunção de inocência", sempre argumentou que foi nomeado arcebispo de Lyon em 2002, ou seja, não estava a cargo da diocese no momento dos fatos, e que soube dos mesmos muito tempo depois.

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