Donald Trump, um pré-candidato à presidência sem política externa

Washington, 17 Mar 2016 (AFP) - O pré-candidato republicano Donald Trump ainda não conta com assessores em política externa, como ele mesmo já admitiu, mas isso não o impediu de multiplicar suas declarações extremistas sobre o que pretende fazer, caso chegue à presidência dos Estados Unidos.

Favorito para ganhar a indicação do partido para a eleição presidencial em 8 de novembro, o polêmico magnata promoveria a construção de um muro na fronteira com o México financiado pelos próprios mexicanos, expulsaria 11 milhões de imigrantes em situação clandestina, proibiria a entrada dos muçulmanos no país, destruiria o grupo Estado Islâmico, faria uma guerra comercial contra China, Japão e México e se aproximaria da Rússia de seu admirado Vladimir Putin.

Sem equipeHá semanas Donald Trump está para divulgar a lista de seus conselheiros em política externa, da qual deveria surgir seu eventual secretário de Estado. O bilionário continua adiando o anúncio.

Ao ser interrogado sobre o tema pela emissora MSNBC na terça-feira, o pré-candidato republicano respondeu: "sim, há uma equipe". Em seguida, admitiu: "bom, na verdade... não há equipe".

"Vou montar uma equipe. Eu me reuni com bem mais do que três pessoas e vou formar uma equipe quando chegar a hora", defendeu, gabando-se do apoio recebido do senador pelo Alabama Jeff Sessions.

Ele também se referiu, com "muito respeito", a um dos principais nomes nos círculos do poder em Washington, Richard Haass, um ex-diplomata que dirige o think tank Council on Foreign Relations (CFR). Haass reconheceu que se reuniu com Trump em agosto, mas se distanciou claramente do magnata.

"Sendo presidente do CFR, não apoio qualquer candidato. Proponho encontros com todos os candidatos, e já fiz isso com vários, tanto democratas quanto republicanos", acrescentou o especialista em sua conta no Twitter.

Segundo a imprensa americana, cerca de 110 diplomatas ligados ao Partido Republicano acabam de assinar uma carta aberta. No texto, denunciam a política externa promovida por Trump, considerando-a negativa para a Segurança Nacional.

Em privado, diplomatas americanos e estrangeiros manifestam sua preocupação com as consequências que uma presidência de Trump teria nas relações de Washington com o restante do mundo.

O muro do MéxicoDesde o início de sua meteórica campanha, Trump acusou o México de enviar "traficantes de drogas", "criminosos" e "estupradores" para os Estados Unidos.

Para conter a imigração ilegal, o empresário prometeu erguer um muro gigante na fronteira, que custaria cerca de US$ 8 bilhões. A conta, segundo Trump, seria enviada para o governo do país vizinho. O presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, não hesitou em comparar a "retórica estridente" de Trump à de Hitler, ou de Mussolini. Também acusou-o de "deteriorar" as relações bilaterais.

'O Islã nos odeia'Em novembro passado, Donald Trump confirmou imagens de muçulmanos que celebravam nos Estados Unidos os atentados do 11 de Setembro. Essa história já foi desmentida em diferentes ocasiões.

O bilionário também quer proibir a entrada de muçulmanos estrangeiros nos Estados Unidos, para evitar que novos atentados aconteçam no país. "Acho que o Islã nos odeia", declarou.

Na última quinta-feira, durante um debate com oponentes republicanos, ele repetiu a ideia: "muitos" dos 1,6 milhão de muçulmanos "odeiam" os Estados Unidos.

Os 'animais' do EIPara lutar contra o grupo Estado Islâmico, Trump propôs uma solução radical: "cortar rapidamente a cabeça desses animais" e "tomar seu petróleo".

Prometeu ainda torturar os "terroristas" e matar suas famílias. Ele acabou recuando e garantiu que respeitará as leis americanas. Finalmente, anunciou que modificará a lei que proíbe a tortura, já que - alegou - os radicais "não têm regras".

Putin, um 'dirigente poderoso'Apesar da tensão entre Washington e Moscou desde 2012, Donald Trump defende, com frequência, o presidente Putin, "um dirigente poderoso", com o qual "tem de se entender". O magnata republicano já foi até chamado de "brilhante" pelo presidente russo.

Guerra comercial contra Pequim, Tóquio, MéxicoPara Trump, os acordos de livre-comércio "não trazem nada de bom". O republicano prometeu adotar medidas protecionistas e conduzir uma guerra comercial contra China, Japão e México, denunciando, por exemplo, a desvalorização do iuane e do iene em relação do dólar.

Para o especialista Edward Alden, do CFR, "existe uma grave ameaça de Trump de uma real reação protecionista, impondo novas tarifas sobre as importações".

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