Cuba descarta "terapias de choque" antes de chegada de Obama

Havana, 20 Mar 2016 (AFP) - Pouco antes da chegada do presidente americano Barack Obama neste domingo, Cuba descartou que vá aplicar "medidas de ajuste" ou "terapias de choque" para avançar suas tímidas reformas econômicas.

"Em qualquer caso, Cuba seguirá avançando no processo que vínhamos desenvolvendo para impulsionar nosso modelo econômico, sem aplicar políticas de ajuste e terapias de choque, com o objetivo de tornar nosso socialismo próspero e sustentável", disse o ministro cubano de Comércio Exterior e Investimentos Estrangeiros, Rodrigo Malmierca, em coletiva de imprensa.

Malmierca destacou que o restabelecimento de relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos em julho passado despertou o interesse do empresariado mundial em fazer negócios com Cuba, mas ressaltou que o embargo, aplicado por Washington desde 1962, continua sendo "o principal obstáculo" nesse sentido.

O ministro destacou que no quarto pacote de medidas de alívio do embargo americano, anunciado nesta semana por Washington, "foram introduzidas mudanças importantes", entre as quais destacou a suspensão da proibição do uso do dólar nas transações internacionais de seu país.

Malmierca também explicou que "a efetividade dessa medida deve ser comprovada na prática, pois as instituições financeiras internacionais foram submetidas a uma férrea perseguição" durante anos pelos Estados Unidos.

Malmierca lamentou que outras questões "estejam ao alcance das faculdades executivas do presidente Obama e não foram incluídas nesse último pacote".

Entre elas mencionou "a impossibilidade das empresas cubanas de exportar produtos e serviços aos Estados Unidos, a proibição aos empresários americanos de investir em Cuba em áreas que não sejam o setor de telecomunicações, e a autorização aos bancos cubanos de estabelecer relações diretas com os bancos americanos".

Na segunda-feira haverá um encontro entre empresários cubanos e americanos para explorar possibilidades de negócios conjuntos.

"A experiência que eu tenho é que a parte norte-americana está aprendendo a entender algumas coisas e está tentando utilizar esses conhecimentos para melhorar o ambiente econômico entre os dois países", apontou Malmierca.

Segundo o ministro, as compras de alimentos que seu país dos Estados Unidos, autorizadas por uma licença especial desde 2001, caíram de 800 milhões de dólares a menos de 200 milhões entre 2008 e 2015.

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