Empate virtual entre deputados brasileiros que avaliam possível impeachment de Dilma

Rio de Janeiro, 20 Mar 2016 (AFP) - A Comissão de 65 deputados que deve dar seu parecer sobre uma possível destituição da presidente Dilma Rousseff começou seu trabalho fortemente dividida, com uma leve vantagem para os partidários do impeachment, indica uma pesquisa.

De acordo com esta pesquisa, realizada pela consultora Arko Advice e publicada neste domingo pelo jornal O Dia, 32 integrantes desta comissão apoiam o impeachment, 31 o rejeitam e 2 permanecem indecisos.

O estudo foi realizado na quinta-feira passada, quando a Comissão acabava de se formar para avaliar se há motivos suficientes para destituir Dilma por suposta manipulação das contas públicas.

O empate técnico entre as duas partes está longe de marcar linhas divisórias intransponíveis.

"O panorama pode mudar rapidamente", disse o diretor da Arko, Murilo Aragão, destacando que na Câmara dos Deputados, que deverá aprovar ou negar o parecer da Comissão, há cada vez mais legisladores que consideram inevitável a destituição da presidente Dilma Rousseff.

Segundo outra pesquisa da mesma consultora, realizada entre 15 e 17 de março com uma amostra de 100 deputados de 23 partidos políticos, "62% aprovariam um impeachment", mais que o dobro em fevereiro (24,5%). "Em apenas três semanas, o resultado quase triplicou", destacou Murilo Aragão.

A postura favorável ao impeachment avança também na opinião pública. Uma pesquisa do Datafolha publicada no sábado indica que 68% dos brasileiros querem que Dilma seja destituída, frente a 60% de um mês atrás.

A Comissão de 65 deputados submeterá seu parecer depois de 15 sessões parlamentares plenárias, a primeira das quais foi realizada na sexta-feira.

Uma recomendação favorável a um processo de impeachment deve ser aprovada por dois terços da Câmara (342 de 513 deputados) e, se ocorrer, ratificada por maioria simples do Senado (de 81 cadeiras).

Neste caso, Dilma seria afastada automaticamente de seu cargo por um prazo máximo de 180 dias. E sua destituição definitiva ocorre com a votação do Senado ao final de todo o processo, desta vez por maioria de dois terços (54 senadores).

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