FHC apoia processo de impeachment de Dilma

Rio de Janeiro, 20 Mar 2016 (AFP) - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003) deu seu apoio ao processo de impeachment iniciado pelo Congresso contra a presidente Dilma Rousseff, afirmando que é um reflexo da vontade popular.

"Foi isso foi o que as ruas gritaram" no 13 de março, quando três milhões de brasileiros participaram das manifestações anti-governo, afirmou FHC em uma entrevista publicada neste domingo pelo jornal O Estado de São Paulo.

"As ruas gritaram renúncia, fim, impeachment", declarou.

Uma pesquisa do Datafolha revelou no sábado que o apoio ao impeachment passou de 60% em fevereiro para 68% em março.

Fernando Henrique Cardoso, de 84 anos, do PSDB, havia expressado dúvidas sobre a iniciativa do impeachment, e esperava que Dilma renunciasse por conta própria ao cargo, em "um gesto de grandeza".

Mas sua postura mudou, depois de constatar "pouco a pouco a incapacidade evidente de funcionamento do governo e a resistência" de Dilma ao dar um passo ao lado, explicou o ex-presidente.

"Agora penso que o caminho é o impeachment", completou.

O procedimento de impeachment está sustentado em acusação de manipulação das contas públicas.

Se chegar até o fim, o processo será "tão doloroso quanto assistir ao desfalecimento da economia e da sociedade", argumentou FHC.

O Brasil, a primeira economia da América Latina que recebe em agosto os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, está paralisado pela recessão e a crise política provocada pelo escândalo de corrupção da Petrobras.

No sábado, o senador Delcídio Amaral, que foi líder do PT no Congresso, acusou Dilma de ter se beneficiado do sistema de propinas multimilionárias montado em torno da petroleira estatal.

Segundo disse Delcídio à revista Veja, o esquema se montou sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), mas "Dilma herdou e se beneficiou diretamente deste sistema, que financiou suas campanhas eleitorais" de 2010 e 2014.

A Câmara dos Deputados realizou na última sexta-feira a primeira sessão das 15 previstas para que uma comissão especial de 65 deputados recomende a abertura ou o arquivamento do pedido de destituição contra Dilma.

A presidente é acusada de ter aumentado gastos sem a permissão do Congresso e de tapar buracos do orçamento com empréstimos de bancos estatais em 2014, o ano de sua reeleição, e no início de 2015.

Se um parecer favorável ao impeachment for aprovado por dois terços dos deputados e pela metade dos senadores, Dilma será afastada do cargo por um prazo máximo de 180 dias.

Finalmente, corresponderia ao Senado, por maioria de dois terços, pronunciar uma eventual destituição.

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