"Lava Jato" conduz primeira fase internacional sem esquecer de Lula

Brasília, 21 Mar 2016 (AFP) - Um empresário envolvido no escândalo da Petrobras foi detido nesta segunda-feira em Portugal, na primeira ação policial internacional relacionada à operação "Lava Jato".

O luso-brasileiro Raul Schmidt Felipe Junior foi detido em Lisboa. Segundo o Ministério Público Federal, era "um operador financeiro no pagamento de propinas aos agentes públicos da Petrobras" e um "preposto de empresas internacionais na obtenção de contratos de exploração de plataformas" da petroleira estatal.

A operação "Lava Jato", lançada em 2014 pelo juiz de primeira instância Sérgio Moro, envolveu políticos e empresários e fragilizou o governo de esquerda da presidente Dilma Rousseff, já ameaçada por um processo de impeachment no Congresso.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também está na mira do juiz Moro, por suposta ocultação de bens, em conexão com o caso Petrobras.

Lula, de 70 anos, foi empossado na semana passada como ministro da Casa Civil de Dilma, mas Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), bloqueou provisoriamente sua nomeação por considerar que se tratava de uma manobra para dotá-lo de foro privilegiado, que o protegeria de um eventual pedido de prisão.

O STF deve decidir apenas no dia 30 de março, em sua próxima sessão plenária, se Lula é ou não ministro.

Mas o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, pode atender aos recursos e Habeas Corpus apresentados por seus advogados e pelo governo para tentar inibir a ação do juiz Moro nos próximos dez dias.

O Instituto Lula denunciou no domingo uma perseguição política, judicial e midiática contra o ícone da esquerda latino-americana.

"Lula não foi acusado de nenhum crime, mesmo depois de ter sido submetido nos últimos meses a uma verdadeira invasão (de sua vida privada) e a intimidaões", denunciou, acusando Sérgio Moro.

O juiz se converteu em um ícone dos manifestantes, que há semanas exigem a renúncia de Dilma.

Novas manifestaçõesOs opositores convocaram novas concentrações na tarde desta segunda-feira, com a expectativa de reunir dezenas de milhares de pessoas em Brasília, onde a comissão legislativa que deve recomendar a abertura ou o arquivamento de um processo de impeachment contra Dilma volta a se reunir.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, espera concluir a primeira fase do processo em menos de um mês. Se prosperar em todas as instâncias legislativas, pode ser finalizado até o fim de abril, com o eventual afastamento de Dilma de seu cargo por um prazo de 180 dias, à espera de uma decisão definitiva.

Uma pesquisa do Datafolha revelou no sábado que o apoio ao impeachment da presidente passou de 60% em fevereiro a 68% em março.

O PT mobilizou suas bases na sexta-feira, em protestos que segundo a polícia levaram às ruas 270.000 manifestantes (1,2 milhão, de acordo com os organizadores), para denunciar uma tentativa de "golpe de Estado".

Dias antes, em 13 de março, três milhões de pessoas se manifestaram em centenas de cidades para pedir a renúncia de Dilma.

"Lava Jato" no exteriorA detenção de Schmidt em Lisboa foi realizada "a pedido das autoridades brasileiras e na presença de um procurador encarregado da operação 'Lava Jato'", indicou o Ministério Público brasileiro.

A cooperação com autoridades de outros países também se estende ao campo financeiro.

As autoridades judiciais suíças bloquearam na semana passada 800 milhões de dólares.

O jornal O Estado de São Paulo indicou nesta segunda-feira que a Suíça se prepara para enviar ao Brasil milhares de documentos e informações sobre contas de políticos e de outras pessoas investigadas pela operação.

No Peru, uma comissão do Congresso investiga o envolvimento da operação em seu país, em meio às acusações de supostos pagamentos de subornos por parte de empresas brasileiras - muitas envolvidas na "Lava Jato" - a funcionários de diferentes governos para realizar obras.

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