Raúl Castro desmente que Cuba tenha presos políticos

Havana, 21 Mar 2016 (AFP) - O presidente Raúl Castro desmentiu, em tom desafiador, que Cuba tenha presos políticos durante coletiva de imprensa conjunta, nesta segunda-feira, com seu contraparte americano, Barack Obama, em Havana.

"Dê agora mesmo a lista dos presos políticos para soltá-los, mencione-a agora", respondeu Raúl Castro, visivelmente agitado, a um jornalista que perguntou sobre o tema. "Se há (sic) estes presos políticos, antes do cair da noite, estarão soltos", acrescentou.

Mais adiante, Raúl Casto voltou a falar sobre o assunto confrontado com uma nova pergunta e afirmou: "não é correto nos perguntarmos sobre presos políticos. Digam-me o nome do preso político e pronto".

O líder cubano de 84 anos foi questionado a esse respeito no dia seguinte à detenção por algumas horas de dezenas de opositores que protestavam contra o governo comunista horas antes da chegada de Obama à ilha.

A maioria dos detidos pertencia à organização Damas de Branco, considerada ilegal por Cuba, que denuncia a existência de presos políticos e questiona Obama por suas "concessões" ao governo de Castro sem que, em troca, exija dele respeitar os direitos humanos.

Muito prudente, Obama afirmou na mesma coletiva de imprensa que, na nova relação que se propõe a manter com Havana, está incluído o tema dos direitos humanos, sobre o qual assegurou que "há inquietação dentro de Cuba".

Os Estados Unidos restabeleceram em 2015 os vínculos diplomáticos com Cuba depois de meio século de rivalidade.

Obama diz que os Estados Unidos não mantêm divergências só com Cuba em assuntos referentes aos direitos humanos, como também com países como China, Vietnã e Mianmar.

Ao finalizar a entrevista coletiva, Raúl Castro, por sua vez, assegurou que nenhuma nação cumpre todos os compromissos internacionais que existem sobre o tema.

"Haverá alguns que cumprem mais e outros, menos, não se pode politizar o tema dos direitos humanos, isto não é correto", enfatizou.

No fim de 2015, a Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional - ilegal, mas tolerada - estimou em 70 o número de presos políticos no país, mas a organização Anistia Internacional não reconhece a existência de presos de consciência na ilha.

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