Europa mais vulnerável do que nunca a atentados de extremistas

Paris, 22 Mar 2016 (AFP) - Os atentados desta terça-feira, em Bruxelas, demonstram que as redes extremistas na Europa mantêm uma capacidade operacional letal, apesar dos golpes policiais desferidos nas últimas semanas, avaliam especialistas e analistas.

"O ano de 2015 foi difícil, temo que 2016 seja terrível", disse à AFP um funcionário francês dos serviços de segurança franceses que prefere permanecer em anonimato.

"Os ataques são claramente uma vingança após a onda de detenções dos últimos dias. Trata-se de uma escalada. Provam que têm homens dispostos a operações suicidas a qualquer momento, com armas e explosivos", completa.

"A mensagem é clara: estamos aqui, não poderão nos deter", disse a fonte.

"Na França, mas também na Europa [como um todo], é necessário se preocupar", insiste.

"Vamos sofrer uma onda de terrorismo muito potente, que poderá ser freada apenas de forma parcial. Algumas equipes serão detidas, nunca houve tantas detenções como agora, mas não poderemos deter todos. É impossível, estamos submersos", declarou.

A onda de detenções na Bélgica, no marco da investigação dos atentados de 13 de novembro, em Paris, que deixaram 130 mortos, permitiu desmantelar uma grande parte dos jihadistas enviados à Europa desde a Síria pelo grupo Estado Islâmico (EI), mas alguns suspeitos continuam foragidos.

"Os atentados de Bruxelas provam que estavam prontos. Ninguém pode montar uma operação deste tipo em 48 horas", disse por sua parte Thomas Hegghammer, especialista do instituto Novergian Defense Research Establishment.

"Se admitimos que estes ataques estão mais ou menos vinculados aos de Paris, é a primeira vez que uma mesma rede é capaz de golpear duas vezes de forma tão importante", completa.

Antes de morrer, o suposto chefe do comando que atacou em Paris, Abdelhamid Abaaoud, havia confiado a pessoas próximas que havia chegado à França "sem documentos oficiais" acompanhado por 90 homens, "sírios, iraquianos, franceses, alemães, ingleses".

Haverá outros atentados "piores", havia completado Abdelhamid Abaaoud.

"Devemos levar essa afirmação a sério, faz um bom tempo que o sabemos", afirma o funcionário francês.

"As críticas contra a polícia belga são injustificadas: trabalham bem, mas estão submersos pela quantidade, como todos os colegas europeus. Todos vamos sofrer ataques, tenho medo", declarou.

A resposta a extremistas tão determinados, que graças a cinco anos de guerra na Síria e muitos mais no Iraque dominam o uso das armas de guerra e a fabricação de explosivos de fabricação caseira, mas muito potentes, é difícil.

"O mais inquietante é que os atentados desta terça-feira provam que eles têm suicidam mobilizáveis imediatamente", completa este responsável.

"Contra isto não se pode fazer nada. Inclusive as patrulhas de soldados não alcançam", declarou.

"Pode haver sorte: controla-se uma pessoa com pinta de suspeita e bingo!", destaca.

"Mas imagine em um aeroporto, na hora de maior movimento, é impossível", completa.

"E se colocam controles de malas na porta do aeroporto criam-se filas no exterior, que se transformam em alvos ideais, o que é pior", insiste.

Milhares de voluntários viajaram para somarem-se ao Estado Islâmico e centenas já voltaram a seu país de origem, alguns chamando a atenção, mas outros com total discrição. Os serviços de inteligência e a polícia buscam a resposta para uma ameaça inédita.

"É um assunto de redes e nisto são fortes", considera Thomas Hegghammer.

"Hoje ocorreu na Bélgica, mas o mesmo poderia ocorrer em qualquer outro lugar. Sobretudo, não deve-se acreditar que se trata de um problema belga", completa.

mm-er/prh.

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