Piloto ucraniana condenada na Rússia a 22 anos de prisão

Donetsk, Rússia, 22 Mar 2016 (AFP) - A piloto ucraniana Nadia Savchenko foi condenada nesta terça-feira por um tribunal russo a 22 anos de prisão por cumplicidade no assassinato em junho de 2014 de dois jornalistas na região leste da Ucrânia, informou seu advogado.

O advogado Nikolai Polozov disse à AFP que Savchenko "foi declarada culpada de todas as acusações", entre elas a de cumplicidade de assassinato.

Savchenko começou a cantar uma música tradicional cobrindo a voz do juiz enquanto ele lia a sentença.

A piloto de helicóptero é acusada de ter informado ao exército ucraniano no dia 17 de junho de 2014 sobre o local onde estavam os jornalistas da televisão pública russa Igor Korneliuk e Anton Voloshin, mortos por um tiro de morteiro no leste separatista da Ucrânia.

Savchenko, de 36 anos, nega as acusações e afirma que foi capturada pelos rebeldes pró-russos e levada à Rússia antes que os dois jornalistas morressem.

"A sentença definitiva fica fixada em 22 anos de privação de liberdade", disse o juiz do tribunal da pequena cidade russa de Donetsk, perto da fronteira com a Ucrânia.

Uma vez conhecida a sentença, o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, propôs trocar dois soldados russos, capturados no leste separatista da Ucrânia, pela piloto Savchenko.

O presidente russo, Vladimir "Putin, disse que após esta sentença devolveria Nadia Savchenko à Ucrânia", indicou Poroshenko em um comunicado.

"Chegou o momento de cumprir a promessa. Eu, por outro lado, estou disposto a entregar à Rússia dois soldados russos detidos em nosso território e envolvidos na agressão contra a Ucrânia", acrescentou.

Detida há 23 meses, Savchenko não hesitou em desafiar abertamente o poder russo durante sua detenção e seu julgamento, o que a fez ganhar uma grande popularidade na Ucrânia.

Eleita simbolicamente deputada durante sua detenção, fez uma greve de fome por mais de 80 dias, entre dezembro de 2014 e março de 2015.

O governo de Kiev e os países ocidentais denunciam que o julgamento de Savchenko é político e consideram a piloto uma vítima das operações russas na Ucrânia.

A Rússia, país criticado por seu apoio militar à rebelião separatista do leste ucraniano, nega estas acusações.

Poroshenko já havia prometido fazer "todo o possível" para levar Nadia Savchenko ao país.

A esposa de Poroshenko apelou na segunda-feira à Primeira Dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, para que se some à campanha internacional em favor de Savchenko.

No início de março, a chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Federica Mogherini, já havia pedido às autoridades russas que libertassem "imediatamente e sem condições" a piloto.

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