Bombardeio americano mata 40 combatentes da Al-Qaeda no Iêmen

Adem, 23 Mar 2016 (AFP) - Ao menos 40 combatentes da Al-Qaeda no Iêmen morreram em um bombardeio aéreo americano, um duro golpe para a rede extremista que ampliou sua zona de influência se aproveitando da ausência de um Estado central neste país em guerra.

E nesta quarta-feira, o mediador da ONU no Iêmen, Ismail Sheikh Ould Ahmed, anunciou um cessar-fogo em todo o país no dia 10 de abril e a retomada das negociações de paz no dia 18 do mesmo mês, no Kuwait.

O bombardeio nesta quarta-feira tinha como alvo um campo de treinamento do grupo jihadista em Hajr, a oeste de Mukalla, uma cidade portuária do sudeste no poder da Al-Qaeda há quase um ano.

"Ao menos 40 combatentes da Al-Qaeda morreram e outros 25 ficaram feridos", declarou à AFP uma fonte governamental local.

Segundo uma fonte tribal, "eram novos recrutas" da AQPA que recebiam treinamento nesta região montanhosa.

"Este é o primeiro ataque aéreo de envergadura do exército americano contra uma posição fixa da Al-Qaeda em Hadramut desde abril passado", declarou à AFP Mustafa al-Ani, especialista do Gulf Research Centre. Foi realizado com aviões de combate que saíram de suas bases marítimas ou do Djibuti, disse.

Até agora os drones americanos costumavam atacar membros da Al-Qaeda que circulavam de carro, lembra o especialista.

A cidade portuária de Mukalla está em poder da Al-Qaeda na Península Arábica (AQPA), que se apoderou dela aproveitando que as forças governamentais concentravam suas forças na luta contra os rebeldes xiitas huthis pró-iranianos.

O Pentágono informou durante a noite sobre o bombardeio, dizendo que havia deixado dezenas de mortos em um campo utilizado por mais de 70 combatentes.

"Este ataque desfere um golpe na capacidade da AQPA de utilizar o Iêmen como base para ataques contra americanos e ilustra nossa determinação em derrotar a Al-Qaeda", justificou o porta-voz do Pentágono, Peter Cook.

Fontes tribais e governamentais atribuíram inicialmente o ataque aéreo à coalizão militar árabe que atua sob o comando saudita há um ano no Iêmen.

Cessar-fogo em 10 de abrilDesde março do ano passado, esta coalizão combate os rebeldes huthis que, em seu avanço em direção ao sul, se apoderaram da principal base aérea do Iêmen, a de Al-Anad, de onde os Estados Unidos precisaram evacuar seus militares.

A guerra contra os huthis permitiu às forças pró-governamentais recuperar cinco províncias do sul. Mas também favoreceu a expansão da AQPA e o assentamento do grupo Estado Islâmico (EI), ativo na Síria e no Iraque.

Consciente do impulso destes grupos jihadistas, a coalizão árabe lançou na semana passada seus primeiros bombardeios aéreos contra redutos da Al-Qaeda em Áden (sul), a capital provisória do país.

Neste contexto, o mediador da ONU informou que "as partes em conflito aceitaram um cessar das hostilidades em todo o país a partir de abril à meia-noite e a nova sessão de negociações de paz acontecerá em 18 de abril".

Ele indicou que, após realizar consultas, especialmente em Sanaa e Riad, obteve garantias de que "todas as partes" vão participar nas negociações.

O mediador esperava que o cessar-fogo permita um "acesso humanitário seguro e livre" para os milhões de civis que necessitam.

O objetivo das negociações "é chegar a um acordo para acabar com o conflito e permitir um diálogo político inclusivo, de acordo com as resoluções da ONU, incluindo a resolução 2216", disse ele.

Esta resolução prevê que os huthis se retirem dos territórios onde tomaram o controle.

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