Donald Trump sob pressão antes da primária de Wisconsin

Washington, 4 Abr 2016 (AFP) - Donald Trump fazia campanha nesta segunda-feira em um ritmo acelerado para evitar uma derrota nesta terça-feira, na primária republicana de Wisconsin contra o senador Ted Cruz.

O bilionário continua a liderar as pesquisas para a nomeação no final do mês.

Os republicanos não votaram nas duas últimas semanas, e só Wisconsin, estado dos Grandes Lagos, na fronteira canadense, votará na terça-feira, um isolamento que trará um grande impacto mediático, apesar do estado conceder somente 1,7% dos delegados para a nomeação.

Mas é pouco provável que uma vitória de Ted Cruz no Midwest supere os resultados de Nova York e nos estados do nordeste, que votam no final de abril, onde Donald Trump parece ser hegemônico.

"As primárias não estão, necessariamente, interligadas", alerta o analista político Larry Sabato, da Universidade de Virginia. "Eu acompanho o processo político desde os anos 1960, e sempre acreditamos que cada primária é a mais importante já vista... até a primária seguinte!"

"Além disso, vocês realmente acreditam que a corrida permanecerá estável durante duas semanas, até Nova York? Claro que não", disse à AFP.

O senador ultraconservador do Texas, Ted Cruz, esta à frente de Donald Trump em Wisconsin, com 40% das intenções de voto contra 35%, de acordo com a média das pesquisas recentes.

John Kasich, governador de Ohio, tem 18% das intenções de votos, aparentemente beneficiando da retirada de outros candidatos preferidos do establishment republicano, incluindo Marco Rubio.

Em um manobra desesperada, os caciques republicanos apoiam Ted Cruz, herói do Tea Party e que fundamentou toda a sua campanha na rejeição das elites e na pureza ideológica. O governador local, Scott Walker, faz campanha por Ted Cruz, um apoio decisivo para mobilizar a base republicana das periferias brancas de Milwaukee.

Ele conquistou oito primárias e 466 delegados, contra 20 estados e 739 delegados conquistados por Donald Trump.

Para obter a nomeação, devem alcançar 1.237 delegados. De acordo com Larry Sabato, é matematicamente impossível para Ted Cruz, porque isso implicaria a vitória em muitos estados.

Batalha de delegadosPara um homem acostumado com os tabloides, a última semana foi particularmente difícil para Donald Trump, que lamentou ter retuítado uma imagem pouco lisonjeira de Heidi Cruz, esposa de seu rival.

"Pessoalmente, é um momento muito difícil", disse ao Washington Post Barry Bennett, assessor do bilionário.

Mas Donald Trump pode respirar mais aliviado ao contemplar as pesquisas para o caucus de Nova York, que votará no dia 19 de abril. O empresário é apontado com 50% dos votos, o que lhe garantiria um grande número de delegados. O mesmo deve acontecer na Pensilvânia (26 de abril), onde conta com cerca de 50% de apoio em uma pesquisa da CBS.

Uma vez superadas estas etapas, a campanha entrará na reta final em maio até as grandes primárias de 7 de junho, com a Califórnia como o prêmio principal.

O desafio de Wisconsin é legitimar a permanência de Ted Cruz na corrida.

"Para Cruz, uma vitória seria importante, mas para Trump, uma derrota não seria crítica", afirmou à AFP Timothy Hagle, professor de ciência política em Iowa.

"A única coisa que importa é saber se Trump alcançará os 1.237 delegados", repete Larry Sabato. "Se o fizer, ele vencerá. Caso contrário, haverá várias rodadas de votação na Convenção, e qualquer coisa pode acontecer."

Os delegados da convenção nacional de Cleveland, em julho, serão, de fato, livres para votar em uma possível segunda ou terceira votação, se Donald Trump não embolsar a maioria absoluta dos delegados.

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