Autoridades líbias não reconhecidas cedem poder a governo de união

Trípoli, 5 Abr 2016 (AFP) - As autoridades líbias não reconhecidas pela comunidade internacional e instaladas na capital Trípoli anunciaram nesta terça-feira que vão ceder o poder ao governo de união nacional apoiado pela ONU.

"Informamos que cessaremos as atividades do poder executivo, da presidência, dos parlamentares e ministros", explicou o governo não reconhecido em um comunicado, emitido uma semana depois da chegada no país do primeiro-ministro Fayez al Sarraj, líder das novas autoridades.

No texto, eles explicam a decisão pela vontade de "acabar com o derramamento de sangue e para evitar a divisão da nação".

No comunicado, o chefe do governo não reconhecido, Khalifa Ghweil, explica que a partir de agora "já não é responsável pelo que possa ocorrer no futuro".

O emissário da ONU para a Líbia, Martin Kobler, tuitou que nesta terça-feira que "após uma intensa jornada, veio a informação de que o governo em Trípoli cede o poder". "Agora as palavras têm que ser seguidas por ações".

Um conselheiro de Kobler explicou à AFP, sob anonimato, que o emissário analisa "os meios de apoiar a ação" do governo de união nacional e do Conselho Presidencial, um órgão que representa as diferentes facções líbias e que capitaneou a formação do executivo.

Kobler também se reuniu com as autoridades municipais de Trípoli.

A Tunísia anunciou, na véspera, a reabertura de sua embaixada em Trípoli, fechada desde 2014, quando a cidade caiu nas mãos da coalizão de milíciais Fajr Lybia.

A Líbia conta com dois governos adversários desde meados de 2014, quando uma aliança de milícias ocupou Trípoli, forçando o Parlamento reconhecido pela comunidade internacional se deslocar para Trobuk.

Al Sarraj, um empresário de Trípoli, ainda não recebeu o apoio oficial do Parlamento em Trobuk.

A nomeação de Al Sarraj para chefe de governo ocorreu em dezembro, após longas negociações patrocinadas pela ONU.

A chegada de Al Sarraj na quarta-feira passada, a Trípoli, por via marítima, foi marcada por advertências e ameaças do governo não reconhecido, mas no dia seguinte dez cidades do oeste da Líbia anunciaram seu apoio ao governo de união nacional, incluindo Sabratha, Zawiya e Zuwara.

A Líbia está mergulhada no caos e nas lutas entre milícias adversárias desde a morte, em 2011, do ditador Muammar Khadafi, em meio a uma revolta apoiada militarmente pelo Ocidente.

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