Dilma descarta reforma ministerial antes de voto sobre impeachment

Brasília, 5 Abr 2016 (AFP) - A presidente Dilma Rousseff descartou, nesta terça-feira, uma reforma ministerial, negociada após a saída de seu principal aliado da coalizão governista, até a conclusão do atual procedimento de impeachment que tramita no Congresso.

"O Planalto não está pretendendo qualquer estruturação ministerial antes de qualquer processo de votação na Câmara. Não iremos mexer em nada", afirmou a presidente à imprensa após uma visita à Base Aérea de Brasília.

Dilma enfrenta um processo de impeachment impulsionado pela oposição no Congresso por suposta maquiagem das contas públicas em 2014, ano de sua reeleição.

A direção do PMDB, que conta com a maior bancada na Câmara, anunciou na semana passada sua ruptura com o PT, defendendo o impeachment.

Caso o processo resulte na destituição de Dilma, seu vice-presidente, Michel Temer, do PMDB, assume o governo até o final do mandato, no final de 2018.

Dilma negocia desde então a reestruturação de seu gabinete, buscando dar mais espaço aos partidos que poderiam ser decisivos para evitar o impeachment, que deve ser aprovado por dois terços da Câmara (342 dos 513 deputados) e validado pelo Senado.

A presidente também espera o desbloqueio judicial da nomeação como chefe da Casa Civil de seu mentor e antecessor Luiz Inácio Lula da Silva, investigado por suposta ocultação de bens no escândalo da Petrobras.

Mesmo sem poder assumir formalmente seu cargo ministerial, Lula tem sido o motor das negociações para restaurar a base aliada e salvar sua herdeira política do impeachment, denunciado pelo PT como um "golpe".

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