Fundação de líderes do Podemos recebeu EUR 7 milhões da Venezuela, diz imprensa

Madri, 5 Abr 2016 (AFP) - Um 'think tank' dirigido pelos fundadores do partido de esquerda radical espanhol Podemos recebeu sete milhões de euros (7,9 milhões de dólares) do governo venezuelano entre 2003 e 2011 para promover sua ideologia na Espanha, afirmam dois jornais conservadores espanhóis.

O jornal ABC e a publicação on-line El Confidencial afirmam que a Fundação Centro de Estudos Políticos e Sociais, cujos trabalhos de assessoria para o governo de Hugo Chávez são conhecidos, recebeu deste vários pagamentos, parte dos quais foram destinados a promover a ideologia bolivariana.

Até agora, a imprensa havia falado de pagamentos no valor de 3,5 milhões de euros.

Estas informações aparecem quando, segundo a imprensa, a polícia espanhola investiga um eventual financiamento ilegal do Podemos, fundado em janeiro de 2014 por meio desta fundação.

O porta-voz do grupo parlamentar do Podemos na Câmara dos Deputados, Íñigo Errejón, reagiu nesta terça-feira afirmando que é "radicalmente falso" que o partido tenha recorrido a um financiamento ilegal, afirmando que "os tribunais sempre disseram e de forma unânime o mesmo: que não é verdade".

O Tribunal Supremo espanhol arquivou em duas ocasiões, em janeiro e abril de 2015, denúncias contra membros do Podemos, entre eles seu líder Pablo Iglesias por, entre outros crimes, "lavagem de dinheiro" ou "crime contra a Fazenda pública".

"Não temos nada a esconder", afirmou em um comunicado o Podemos, que insiste que "se alguém tem alguma prova do que está dizendo, se há provas de financiamento ilegal, deve ir aos tribunais", lembrando que nenhuma prova foi encontrada.

Os dois jornais se baseiam em um documento de três páginas, datado em maio de 2008, no qual o ministro das Finanças da Venezuela, Rafael Isea, detalha os pagamentos já realizados e fala em conceder recursos suplementares a esta fundação.

A fundação, ressalta o documento, realizou entre 2003 e 2007 trabalhos de assessoria para a presidência, o ministério do Interior ou a Assembleia Nacional venezuelanos.

A assinatura de novos contratos com a fundação "permitirá estreitar laços e compromissos com reconhecidos representantes das escolas de pensamento de esquerda, fundamentalmente anticapitalista, que na Espanha possam criar consensos de forças políticas e movimentos sociais, propiciando neste país mudanças políticas ainda mais próximas ao governo bolivariano", afirma o ministro.

Encarregada de fomentar a "consciência social bolivariana" dos funcionários venezuelanos por meio de uma "ação catequizadora" que divulgue estes valores, seu trabalho alcançou "resultados excelentes", afirma o documento.

O documento leva a assinatura do presidente Hugo Chávez sob o título "Comandante presidente Chávez".

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