Anistia revela que execuções judiciais cresceram mais de 50% em 2015

Londres, 6 Abr 2016 (AFP) - As execuções de condenados à morte cresceram mais de 50% em 2015 e somaram 1.634 casos, o número mais alto em 25 anos, assinala a Anistia Internacional (AI) em um relatório publicado nesta terça-feira.

Apenas três países, Irã, Paquistão e Arábia Saudita concentraram quase 90% das penas capitais aplicadas no mundo.

No Irã foram executadas 977 pessoas, no Paquistão, 326, e na Arábia Saudita, 158.

Na quarta posição da lista de países que mais realizaram execuções judiciais em 2015 estão os Estados Unidos, com 28 mortes.

A China não está na lista, porque os números sobre as execuções são considerados "segredo de estado", mas a Anistia estima que os chineses executam milhares de pessoas a cada ano.

"O aumento das execuções que observamos no último ano é profundamente preocupante. O número de execuções judiciais em 2015 foi o mais elevado em 25 anos", disse Salil Shetty, secretário-geral da AI.

"Irã, Paquistão e Arábia Saudita executaram um número impressionante de pessoas condenadas à morte em julgamentos frequentemente de uma parcialidade flagrante. Este massacre precisa ser detido", disse Shetty.

No acordo com o Ocidente sobre o tema nuclear o Irã se comprometeu com uma série de pontos, "mas os direitos humanos foram completamente deixados de lado", disse à AFP James Lynch, subdiretor da AI para Oriente Médio e África do Norte.

No Paquistão, a moratória sobre a aplicação da pena de morte, em vigor desde 2008, foi suspensa após o ataque talibã contra uma escola de Peshawar, em dezembro de 2014.

Em relação à Arábia Saudita, quase metade das pessoas executadas desde meados dos anos 80 é estrangeira, grande parte "trabalhadores imigrantes que muitas vezes sequer falam árabe e têm poucas possibilidades de acesso a um processo justo".

Em 2015 também foram pronunciadas no mundo mais de 1.998 penas de morte, mas este número é incompleto diante das dificuldades de se contar sentenças no Irã, Paquistão e Arábia Saudita, onde as execuções se aplicam em casos de sequestro, homicídio e terrorismo, mas também de adultério, insultos ao Profeta e apostasia.

"Por sorte, os países que adotam a pena de morte são minoritários e estão cada vez mais isolados. Em 2015, quatro novos países - República do Congo, Suriname, Fiyi e Madagascar - aboliram a pena de morte", destacou Shetty

"A tendência mundial a longo prazo é pela abolição da pena de morte", assinala a AI, recordando que quando a organização iniciou sua campanha mundial contra as execuções, em 1977, apenas 17 países haviam abolido as execuções, contra 102 atualmente.

Ainda segundo a AI, no final de 2015 ao menos 20.200 pessoas permaneciam nos corredores da morte.

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