Cameron admite participação em fundo offshore revelado nos 'Panama Papers'

Londres, 7 Abr 2016 (AFP) - O primeiro-ministro britânico, David Cameron, admitiu nesta quinta-feira à noite que possuiu até 2010 participações no fundo fiduciário de seu pai registrado nas Bahamas, após vários dias de pressão decorrentes do vazamento dos "Panama Papers".

Em uma entrevista ao canal ITV, Cameron ressaltou que vendeu suas participações em 2010 por cerca de 30.000 libras (37.000 euros), poucos meses antes de ser eleito primeiro-ministro.

"Eu tinha 5.000 ações no fundo Blairmore Investment Trust, que vendi em janeiro de 2010, (e) que valiam cerca de 30.000 libras esterlinas (ou US$ 42 mil)", admitiu Cameron.

O premiê garante que pagou impostos no Reino Unido sobre os dividendos desses fundos e que não fez "nada ilegal".

"Honestamente, não tenho nada a esconder. Tenho orgulho do meu pai e do que conseguiu, da empresa que construiu", completou.

"Acho que muitas das críticas se baseiam em uma interpretação errada de que o Blairmore Investment foi criado para evadir impostos. É falso", defendeu-se Cameron.

Até agora o gabinete de Downing Street havia emitido quatro notas sobre o assunto, afirmando se tratar de um tema "privado" do primeiro-ministro.

Na terça-feira, o premiê havia dito à AFP que não tinha "qualquer participação em um fundo 'offshore'".

"Eu vendi tudo em 2010, porque, se iria ser primeiro-ministro, não queria que ninguém me dissesse que tinha outros interesses", afirmou ele, reconhecendo que vive "dias difíceis" desde o início desse escândalo.

Os rendimentos desse fundo de investimento, cuja existência havia sido revelada pelo jornal "The Guardian" em 2012, teriam escapado do Fisco britânico por 30 anos, graças a um complicado esquema criado pelo escritório de advogados panamenho Mossack Fonseca, como revelaram os "Panama Papers".

Membros da oposição trabalhista pediram sua renúncia imediatamente.

"Tirem esse hipócrita", escreveu no Twitter o deputado trabalhista John Mann.

"Cameron não foi honesto. Deveria renunciar de imediato", insistiu.

"Não acredito que o povo britânico vá perdoá-lo. Ele denunciou outras figuras públicas enquanto se aproveitava dos mesmos esquemas", declarou o vice-presidente do Partido Trabalhista, Tom Watson, à Sky News.

"Parece que David Cameron está perdendo por completo a confiança do povo", comentou o líder do Partido Nacional Escocés (SNP), Angus Robertson, no Parlamento de Westminster.

Essa crise política acontece no momento em que o premiê britânico enfrenta a ameaça de uma eventual saída do Reino Unido da União Europeia, a chamada "Brexit".

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