Turquia 'não aplicará' acordo migratório se UE 'não respeitar seus compromissos'

Istambul, 7 Abr 2016 (AFP) - O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, advertiu nesta quinta-feira que a Turquia "não aplicará o acordo" migratório assinado com a União Europeia (UE) caso ela não respeite seus compromissos.

"Há condições precisas. Se a UE não der os passos necessários, não respeitar seus compromissos, a Turquia não aplicará o acordo", declarou o chefe de Estado turco durante um discurso em Ancara.

O acordo, assinado em 18 de março, prevê a expulsão da Turquia de todos os migrantes que tenham entrado ilegalmente na Grécia depois de 20 de março, uma ajuda financeira de seis bilhões de euros a Ancara, a suspensão, em junho, dos vistos impostos pela UE aos cidadãos turcos e a aceleração das discussões de adesão da Turquia à UE.

"Tudo será feito em função do que foi prometido, do que o texto indica", insistiu o líder turco.

"Houve promessas, mas, até agora, nada foi concretizado", acrescentou Erdogan, afirmando que "três milhões de pessoas estão sendo alimentadas com nosso orçamento".

A Turquia, vizinha da Síria, acolhe cerca de 2,7 milhões de refugiados que fogem da guerra, dos quais 250 mil vivem em acampamentos. O presidente disse que seu país já gastou aproximadamente 10 bilhões de dólares para mantê-los.

"Deram-nos sua gratidão por nossa ação a favor dos refugiados e contra os terroristas (...) Mas não estamos fazendo isso para que nos deem sua gratidão", completou Erdogan.

Greve de Fome O acordo está sendo oficialmente aplicado desde segunda-feira, dia em que o primeiro grupo de 202 pessoas foi expulso da Grécia para a Turquia. Mas, desde então, o processo está estagnado, já que a Grécia enfrenta uma explosão de pedidos de asilo que devem ser analisados antes de qualquer expulsão.

Assim, as autoridades gregas, que se queixam de uma escassez de advogados e intérpretes, anunciaram, na quarta-feira, que a gestão de todos estes pedidos os obrigará a tomar uma "pausa" de 15 dias antes de retomar a operação de expulsão.

Mas os gregos se preparavam para expulsar, nesta sexta-feira, 50 imigrantes para a Turquia, segundo funcionários e oficiais da polícia.

Em um centro de registro de Moria, na ilha grega de Lesbos, onde estão abrigados ao menos três mil migrantes, um grupo de 70 paquistaneses deu início, nesta quinta-feira, a uma greve de fome para protestar contra a possível expulsão para a Turquia.

O governo grego deu início à transferência, desde o centro de Moria para o centro aberto de Kara Tepe, na ilha de Lesbos, das famílias com crianças e pessoas vulneráveis, uma operação "para aliviar Moria", disse uma fonte governamental.

O papa Francisco realizará uma visita-relâmpago, no dia 16 de abril, à ilha grega de Lesbos para dar seu apoio aos migrantes provenientes da Ásia e África e manifestar sua solidariedade aos refugiados sírios, que estão sendo expulsos da Europa.

O pontífice argentino foi convidado por Bartolomeu I, o patriarca de Constantinopla e líder espiritual dos ortodoxos, assim como pelo presidente grego, Prokopis Pavlopoulos.

Os ministros do Exterior e de Assuntos Europeus de seis Estados membros da UE viajarão, na sexta-feira e sábado, para Grécia e Turquia com o objetivo de fazer um balanço das decisões tomadas para responder à crise migratória.

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