Grécia expulsa segundo grupo de imigrantes para a Turquia

Em Lesbos (Grécia)

  • AFP

    Ativistas pró-imigração tentam segurar âncora de barcos com imigrantes

    Ativistas pró-imigração tentam segurar âncora de barcos com imigrantes

A Grécia expulsou nesta sexta-feira (8) para a Turquia um segundo grupo de migrantes, ao mesmo tempo que a Alemanha anunciou uma forte redução dos pedidos de asilo, enquanto a Europa tenta solucionar a mais grave crise migratória desde o fim da 2ª Guerra Mundial.

As autoridades gregas informaram que dois barcos levaram 124 imigrantes de volta à Turquia, como parte do acordo entre UE (União Europeia) e Ancara.

Na ilha de Lesbos, um grupo de ativistas tentou barrar a saída de um dos barcos, e três ativistas foram detidos quando seguraram a âncora, para tentar impedir a partida do porto de Mitilene.

Outras 30 pessoas se reuniram no porto de Lesbos e gritaram frases como "Vergonha para a UE" e "Liberdade para os refugiados".

O grupo desembarcou no porto de Dikili (oeste da Turquia), onde os migrantes serão submetidos a "controles de identidade e de saúde", segundo uma fonte local que pediu anonimato.

Uma vez registrados, os migrantes serão levados de ônibus "provavelmente para Kirklareli", noroeste da Turquia, onde existe um campo de refugiados.

O governo grego informou que 111 imigrantes levados à Turquia eram paquistaneses e quatro, iraquianos. Também havia bengaleses, indianos, marroquinos, egípcios e um palestino.

As embarcações que transportam os migrantes são todas fretadas pela agência de fronteiras da UE, a Frontex.

Pedido de asilo

De acordo com o governo grego, a operação envolve aqueles que não solicitaram asilo na Grécia. "Qualquer pessoa que pede asilo sai da lista", afirmou uma fonte do Executivo à AFP.

Em outra operação por terra, 97 pessoas --a maioria paquistaneses-- foram levadas à Turquia, informaram as autoridades gregas.

Acordo polêmico

Segundo os termos do acordo entre a UE e Ancara concluído no mês passado em Bruxelas, todos os imigrantes que chegaram de maneira irregular às ilhas gregas desde a Turquia a partir de 20 de março correm o risco de expulsão.

O acordo também afirma que para cada refugiado sírio devolvido, a UE receberá outro sírio que está na Turquia, até atingir o limite de 72mil.

Em troca, a Turquia receberá uma ajuda de seis bilhões de euros e no mês de junho será suspensa a exigência de visto aos cidadãos turcos em viagens para a UE.

Na segunda-feira, o primeiro grupo de 202 migrantes foi expulso para a Turquia a partir das ilhas de Lesbos e Quios.

Diante da situação, muitos dos 3.000 migrantes bloqueados em Lesbos correram para apresentar pedidos de asilo, o que obrigou as autoridades gregas a adiar as expulsões para ter tempo de analisar as demandas individualmente.

O acordo foi muito criticado por diversas organizações, que o chamaram de "desumano".

Dezenas de migrantes bloqueados em Lesbos e na ilha de Samos, também próxima da Turquia, anunciaram o início de uma greve de fome para evitar a expulsão e pedir a reabertura das fronteiras nos Bálcãs.

Situação alemã

Na Alemanha, a apresentação de novos pedidos de asilo registrou queda de 66%, com 20 mil pessoas cadastradas em março, contra 60 mil em fevereiro, anunciou nesta sexta-feira o ministro do Interior, Thomas de Maizière.

"Em dezembro eram 120 mil pessoas, em janeiro 90 mil, em fevereiro 60 mil e agora em março 20 mil", afirmou o ministro, poucas semanas depois do fechamento da rota migratória dos Bálcãs.

Em 2015 a Alemanha recebeu 1,1 milhão de solicitantes de asilo, depois que a chanceler Angela Merkel decidiu abrir as portas do país aos refugiados.

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