UE e Mercosul trocarão ofertas para TLC na 2ª semana de maio

Bruxelas, 8 Abr 2016 (AFP) - A União Europeia (UE) e o Mercosul fixaram para a segunda semana de maio a troca de ofertas alfandegárias para avançar em um acordo acordo comercial entre os dois blocos, no qual o setor agrícola será alvo de intensas negociações.

"Na segunda semana de maio, ajustando alguns detalhes de caráter logístico, vamos fazer o intercâmbio de ofertas", disse à AFP o ministro de Relações Exteriores uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, cujo país tem a presidência semestral do Mercosul, ao sair de uma reunião em Bruxelas com a comissária europeia do Comércio, Cecilia Malmstrom.

Em um comunicado, Malmstrom se declarou "contente de que possamos avançar com esta negociação iniciada há muito tempo".

"Na segunda semana de maio, a UE e o Mercosul trocarão as ofertas tarifárias", disse, citada no comunicado.

"Acredito que o intercâmbio nos permita retomar com êxito estas negociações", afirmou Malmstrom.

As negociações para um acordo comercial entre os dois blocos foram retomadas em 2010 após uma suspensão de seis anos, depois da infrutífera troca de ofertas de 2004. Os primeiros passos para negociar um acordo foram dados em 1999.

"Reforçar as condições comerciais entre a UE e os países do Mercosul dará importantes benefícios econômicos as nossas economias", acrescentou Malmstrom.

O intercâmbio de ofertas foi anunciado e adiado em várias oportunidades nos últimos anos. Questionado sobre o tema, o chanceler uruguaio disse que não existe "nenhuma possibilidade de mudança". "Vai ser na segunda semana de maio em Bruxelas", afirmou.

Nin Novoa indicou que o Mercosul mantém a oferta de abertura de 87% de seu mercado, antes de recordar que é a "apresentação inicial". A UE, por sua vez, havia anunciado uma abertura de 91,5% de suas linhas de produtos.

"Deste ponto de vista não vão existir muitos inconvenientes, porque há uma vontade específica em matéria de acordo, queremos fazer o acordo", disse.

Provocação a agricultores europeusO ministro, no entanto, afirmou não ter como confirmar que os "produtos sensíveis" estarão na proposta.

"Não tenho a oferta da UE", disse, antes de ressaltar que estas negociações "são sempre complexas, há muitos interesses em jogo e as dificuldades vão sendo superadas com as negociações".

Os "produtos sensíveis" são os laticínios, carnes, frutas e hortaliças. A França desejava que ficassem de fora na troca inicial de ofertas, segundo fontes ligadas às negociações.

A França, primeira potência agrícola europeia, protege seu setor. Pediu nesta semana que fosse incluído um debate sobre a negociação comercial da UE com o Mercosul entre os 28 ministros de Agricultura do bloco, que será realizada na segunda-feira em sua reunião mensal.

Seu pedido foi apoiado por 12 países, entre eles Irlanda e Polônia.

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