Dilma diz que lutará até 'o último minuto'

Brasília, 13 Abr 2016 (AFP) - A presidente Dilma Rousseff declarou, nesta quarta-feira, que está decidida a "lutar até o último minuto" para salvar seu mandato, ameaçado por um processo de impeachment no Congresso.

Em uma entrevista a vários veículos nacionais, Dilma também anunciou que, no caso de sair vitoriosa da votação que será realizada no próximo domingo na Câmara dos Deputados, proporá um pacto a todas as forças políticas, no qual não haverá "vencedores nem derrotados".

Dilma, de 68 anos, denuncia como um "golpe de Estado" o processo de impeachment conduzido pela oposição, que a acusa de manipulação das contas públicas em 2014, ano da sua reeleição, e em 2015.

Importantes aliados do PT anunciaram esta semana que votariam a favor de sua saída, o que requer a aprovação de dois terços da Câmara (342 dos 513 deputados), antes de seguir para Senado.

Caso o Senado aprove finalmente o impeachment, por dois terços dos senadores, Dilma será substituída pelo vice-presidente, Michel Temer.

Mas a ex-guerrilheira que desafiou seus torturadores durante o regime militar não parece se impressionar e não está disposta a dar o braço a torcer.

"O governo vai lutar até o último minuto do segundo tempo por algo que acreditamos que seja factível, que é ganhar contra esta tentativa de golpe que estão tentando colocar contra nós através de um relatório que é uma fraude", disse ela, referindo-se ao documento aprovado pela comissão parlamentar que recomenda a abertura do julgamento de impeachment.

A presidente não descartou um recurso judicial perante o Supremo Tribunal Federal (STF), no caso de o impeachment ser aprovado pelos deputados.

"Não garanto ainda o que nós vamos fazer porque não tenho a avaliação completa do jurídico do governo. Não sabemos se vamos. E, se formos, quando", completou.

Sobre Temer e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, a presidente reafirmou que "chamei de chefe do golpe e de vice-chefe do golpe". "Só não sei quem é o chefe e o vice-chefe, vocês também não sabem. São associados. Um não age sem o outro. Aqui ninguém é ingênuo".

Em tom mais conciliador, Dilma disse que fará "uma proposta de nova repactuação de todas as forças políticas, sem que haja vencidos nem vencedores. Não se faz pacto com ódio (...). Convido todos (...) Oposição existe".

Sobre o eventual impeachment, Dilma foi direta: "Se eu perder, sou carta fora do baralho".

Segundo o jornal o Estado de São Paulo, o impeachment de Dilma tem o apoio de 326 deputados, contra 125 que rejeitam a medida. Há ainda 29 indecisos e 33 que não responderam. Para passar na Câmara, a medida precisa de 342 votos.

Na véspera, dois dos principais partidos aliados do governo, PP e PRB (com um total de 69 deputados), anunciaram sua saída da base aliada e a maior parte de seus deputados deve votar a favor do impeachment.

A maioria dos 36 deputados do PSD, também da base aliada, já anunciou que votará pelo impedimento da presidente.

A única boa notícia para o governo na batalha contra o impeachment veio do PDT (20 deputados), que anunciou seu apoio à Dilma nesta quarta-feira.

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