Chefes de Estado destituídos ou obrigados a renunciar por problemas com a justiça

Paris, 17 Abr 2016 (AFP) - Vários chefes de Estado em exercício foram alvo de processo de destituição, por causa de problemas com a justiça, ou se viram obrigados a renunciar nas últimas décadas.

Atualmente o parlamento brasileiro examina um pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, acusada pela oposição de maquiar contas públicas.

- Destituídos pelo Parlamento -- VENEZUELA: O presidente Carlos Andrés Pérez, acusado de desfalque e enriquecimento ilícito, foi afastado em maio de 1993, e sua destituição confirmada pelo Congresso em 31 de agosto do mesmo ano.

- EQUADOR: Abdalá Bucaram, acusado de desvio de fundos públicos, foi destituído em 6 de fevereiro de 1997 por "incapacidade física e mental", seis meses depois de sua posse.

Em abril de 2005, em meio a uma revolta popular, o presidente Lucio Gutiérrez, acusado de colocar aliados na Suprema Corte de Justiça, foi igualmente destituído pelo Parlamento.

- PERU: Alberto Fujimori foi destituído em 21 de novembro de 2000, "por incapacidade moral permanente", antes de ir para o Japão, onde ficou anos. Extraditado do Chile em 2007, foi condenado a 25 anos de prisão por crimes contra a humanidade.

- PARAGUAI: Fernando Lugo foi destituído em 22 de junho de 2012 "por mal desempenho de suas funções", em um julgamento político pelo Senado.

- INDONÉSIA: Abdurrahman Wahid, acusado de incompetência e corrupção, foi destituído em 23 de julho de 2001 pelo Parlamento.

- LITUÂNIA: Rolandas Paksas, destituído em 6 de abril de 2004 por "violação grave da Constituição e por descumprir o juramento constitucional". Foi acusado de conceder nacionalidade lituana a um empresário russo que era seu principal apoiador financeiro.

- Obrigados a renunciar -- BRASIL: Fernando Color de Mello, acusado de corrupção, renunciou em 29 de dezembro de 1992 após a abertura de seu processo de impeachment no Senado.

- ISRAEL: envolvido em caso de sonegação fiscal e corrupção, o presidente Ezer Weizman renunciou em julho de 2000. Preferiu jogar a toalha a ter que enfrentar um processo de destituição.

Em junho de 2007, o presidente Moshe Katzav, envolvido em um escândalo sexual, também renunciou. Foi condenado e preso em 2011.

- ALEMANHA: o presidente da República Federal, Christian Wulff, se viu obrigado a renunciar em fevereiro de 2012 quando teve a imunidade suspensa. Acusado de corrupção, posteriormente foi declarado inocente.

- GUATEMALA: Otto Pérez, acusado de dirigir um sistema de corrupção na alfândega, perdeu sua imunidade em 1 de setembro de 2015. Com o risco de ser destituído, renunciou ao cargo dois dias mais tarde e foi colocado em prisão preventiva.

- Procedimentos que não tiveram resultado -Outros chefes de Estado se viram submetidos a um processo de destituição que não deu resultado. Foi o caso de Boris Yeltsin na Rússia (1999), Luis González Macchi no Paraguai (2003), Roh Moo-Hyun na Coreia do Sul (2004) e Hery Rajaonarimampianina em Madagascar (2015).

Nos Estados Unidos, em duas ocasiões a Câmara de Representantes votou pelo impeachment do presidente, primeiro Andrew Johnson (em 1868) e depois Bill Clinton (em 1999). Ambos foram salvos pelo Senado.

Em 1974, a Câmara iniciou os trabalhos para o 'impeachment' do presidente Richard Nixon, mas o procedimento foi abandonado após sua renúncia.

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