Dilma se diz 'indignada' com aprovação do impeachment na Câmara

Brasília, 18 Abr 2016 (AFP) - Em entrevista coletiva nesta segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff disse estar "indignada" com a aprovação do processo de impeachment contra ela na Câmara dos Deputados e reiterou que não cometeu qualquer crime.

"Recebi 54 milhões de votos e me sinto indignada com a decisão" dos deputados, declarou a presidente, em coletiva de imprensa concedida no Palácio do Planalto, em sua primeira reação após a votação realizada na Câmara no domingo. Agora, o processo seguirá para o Senado.

"Não me deixarei abater, não vou paralisar por isso, vou continuar lutando e vou lutar como fiz toda a minha vida", garantiu a presidente.

"Estão torturando meus sonhos, meus direitos, mas não vão matar a minha esperança porque sei que a democracia está do lado certo da história", acrescentou.

"Também me sinto injustiçada por não permitirem nos últimos 15 meses que eu governasse em um clima de estabilidade política".

"Não há crime de responsabilidade. Os atos pelos quais eles me acusam foram praticados por outros presidentes da República antes de mim e não foram caracterizados como atos ilegais ou criminosos", afirmou Dilma.

"A mim se reserva um tratamento que não se reservou a ninguém. Os atos que me acusaram foram praticados baseados em pareceres técnicos".

Dilma recordou ainda as chamadas "pautas-bomba" do Congresso, para provocar o desequilíbrio financeiro do governo. A injustiça "se expressou em pautas-bomba, que no ano passado envolveram 40 bilhões" de reais.

"Me sinto injustiçada, injustiçada porque considero que esse processo é um processo que não tem base de sustentação. E é por isso que me sinto injustiçada. A injustiça sempre ocorre quando se esmaga o processo de defesa mas também quando, de uma forma absurda, se acusa alguém por algo, primeiro, que não é crime e, segundo, acusa e ninguém se refere a qual é o problema".

Sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal favorável ao andamento do processo de impeachment, Dilma respondeu a o aval do STF "não tem a ver com o conteúdo". "O fato de o Supremo decidir ou não decidir que o andamento do processo tem de ser assim ou assado não significa que decidiu sobre o mérito. Aliás, a única decisão que eu, pelo menos, tenho conhecimento sobre mérito é no sentido de dizer que os processos de impeachment em andamento não podem ser acrescidos de outros adendos. Ele tem de ater à denúncia original".

Em uma referência direta a seu vice-presidente, Michel Temer, a presidente disse que "esta tentativa de eleição indireta se dá porque aqueles que querem ascender ao poder não têm votos para tal".

"É extremamente inusitado, estranho e, sobretudo, estarrecedor, que um vice-presidente, no exercício do seu mandato, conspire contra a presidenta abertamente. Em nenhuma democracia do mundo uma pessoa que fizesse isso seria respeitada porque a sociedade humana não gosta de traidores".

Apesar da aprovação do processo de impeachment na Câmara, Dilma falou "em um grande rearranjo do governo". "Acho que nós teremos um outro governo no sentido de que vamos construir um novo caminho. Na verdade, estrou enfrentando, já enfrentei o terceiro turno das eleições, e agora vou entrar no quarto turno e, depois do quarto turno, tem, além das medidas que já anunciados e que tenho certeza que são importantes, nós lançaremos outras medidas."

"Podemos vir a repactuar o governo. Agora, não se trata de modificar ministérios nem de tomar alguma medida em termos de cargos. Aliás, obviamente, aquela pessoas que votaram no impeachment, não há justificativa política, ética, para que permaneçam. Não podem permanecer no governo por uma simples questão de consequência dos seus próprios atos. Estranho seria o contrário.".

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