ONU: israelenses e palestinos se enfrentam no Conselho de Segurança

Nova York, 18 Abr 2016 (AFP) - Um debate no Conselho de Segurança da ONU se transformou em um grande embate nesta segunda-feira entre os embaixadores palestino e israelense, que trocaram acusações, aos berros, sobre atos de violência entre ambos os lados.

O embaixador de Israel nas Nações Unidas, Danny Danon, pediu ao representante palestino que condene os atos de terrorismo, em referência aos ataques palestinos contra israelenses.

"Você deveria se envergonhar de glorificar o terrorismo!", lançou.

"Deveria se envergonhar por matar crianças palestinas!", respondeu o palestino Riyad Mansur.

Ambos foram chamados à ordem pelo presidente do Conselho, mas, depois, Danon se dirigiu ao colega palestino: "Não pode dizer isso aqui. As crianças palestinas estão observando neste momento".

"'Condeno todos os atos de terrorismo': uma frase que você não pode dizer. Deveria ter vergonha disso", insistiu.

"Deixe meu povo ser livre! Você deveria se envergonhar! Você é um invasor", rebateu Mansur.

O debate no Conselho acontece no momento em que os palestinos tentam obter uma resolução da ONU contra as colônias israelenses nos territórios palestinos ocupados por Israel.

Os palestinos começaram a circular um projeto de resolução que condena a colonização israelense, ou seja, a construção de assentamentos civis na Cisjordânia ocupada, ou em Jerusalém Oriental, a parte da cidade de maioria árabe. A comunidade internacional considera esta colonização ilegal.

O esforço palestino coincide com o projeto iniciado em janeiro pela França para organizar uma conferência internacional neste verão (hemisfério norte) para promover um processo de paz. Paris decidiu lançar essa iniciativa diante do fracasso, em 2014, dos esforços americanos de mediação.

Na semana passada, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu a Israel que recue no confisco de terras de palestinos na Cisjordânia e considerou que a política de ocupação era "um impedimento à solução de dois Estados" nessa zona do Oriente Médio.

O apelo de Ban foi feito depois que Israel declarou que 234 hectares de território da Cisjordânia eram parte de seu Estado, alimentando o temor de um novo pico de tensões com os palestinos.

A ONU pediu repetidamente a Israel que detenha a expansão de assentamentos judaicos. Esses espaços são vistos com um plano para sabotar a criação de um futuro Estado palestino, por meio da absorção de territórios que seriam parte do novo país.

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