Oposição síria suspende participação nas negociações em Genebra

Genebra, 18 Abr 2016 (AFP) - A oposição síria suspendeu nesta segunda-feira sua participação "formal" nas negociações de paz com o governo de Damasco em Genebra, enquanto a trégua em vigor na Síria parece estar prestes a colapsar.

"Soube da intenção (da oposição) de suspender sua participação formal nas negociações no Palácio (das Nações) para expressar sua insatisfação e preocupação com a deterioração da situação humanitária e com o prosseguimento das hostilidades" na Síria, anunciou o enviado especial da ONU para esse país, Staffan de Mistura.

"No entanto, eles manifestaram sua intenção de permanecer em Genebra e atender ao meu pedido de manter discussões técnicas" em seu hotel, acrescentou.

A segunda rodada de negociações sobre a paz na Síria, promovida pela ONU, acontece desde 13 de abril e deveria durar pelo menos dez dias.

Pouco antes das declarações de De Mistura, uma pequena delegação do Alto Comitê de Negociações (ACN), que representa os rebeldes, pediu ao emissário da ONU uma pausa nas negociações com o governo, até que o regime demonstre que está comprometido com uma transição.

Um negociador do ACN confidenciou à AFP que a oposição está dividida entre "aqueles que estão inclinados a suspender a participação nas negociações e outros que insistem em permanecer" em Genebra.

Neste contexto, o presidente russo, Vladimir Putin, e o americano, Barack Obama, concordaram nesta segunda-feira, durante uma conversa por telefone, em reforçar o cessar-fogo na Síria.

"Os líderes discutiram em detalhes a situação, confirmando a intenção de facilitar um reforço da trégua, fruto de uma iniciativa russo-americana, neste país, bem como o acesso à ajuda humanitária", informou o Kremlin em um comunicado.

As negociações entre a oposição e o governo estão em um ponto difícil, depois de uma primeira rodada marcada por desacordos sobre o destino do presidente sírio. O objetivo dessa tentativa de diálogo é pôr fim a cinco anos de um conflito que já deixou mais de 270.000 mortos.

O ACN exige a criação de um corpo de transição e exclui a participação do presidente sírio. Já o governo defende a necessidade de uma coalizão e insiste em que a presença de Bashar al-Assad é essencial e não negociável.

Trégua ameaçadaNo campo de batalha na Síria, a trégua parecia prestes a se romper nesta segunda-feira após dez grupos rebeldes anunciarem uma resposta coordenada às "violações" do cessar-fogo por parte de Damasco.

Respeitado globalmente, o acordo de cessação das hostilidades imposto por Washington e por Moscou desde 27 de fevereiro é ameaçado há uma semana por uma nova escalada nos combates e bombardeios, principalmente na metrópole de Aleppo (norte) e sua província.

Esses dez grupos rebeldes, islâmicos em sua maioria, anunciaram hoje que adotariam uma resposta coordenada. Entre eles, estão os influentes Ahrar al Sham e o grupo de inspiração salafista Jaish al-Islam.

"Depois do aumento das violações (da trégua) por parte das forças do regime, que incluem ataques contra campos de deslocados e bombardeios em bairros residenciais, declaramos o início de uma batalha para responder a isso", afirmaram dez grupos rebeldes na nota divulgada nesta segunda.

Eles prometeram ao Exército sírio "uma resposta forte que lhe servirá de lição".

A batalha anunciada "diz respeito ao norte da província de Latakia", um dos principais redutos de Al-Assad, no oeste da Síria, explicou à AFP o Jaish al-Islam, a facção rebelde mais poderosa em Guta Oriental, reduto da oposição ao leste de Damasco.

Um dos principais nomes deste grupo é Mohamed Alush, que também é o líder dos negociadores do principal grupo de oposição sírio nas conversas de paz de Genebra com mediação da ONU.

A ofensiva rebelde começou hoje na região de Latakia, segundo Alush e o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Os confrontos continuam em várias frentes na província de Aleppo, dividida entre o Exército, rebeldes, extremistas e curdos.

Na cidade de mesmo nome, dividida em dois desde 2012, a televisão oficial informou que oito pessoas morreram nesta segunda-feira por foguetes disparados por rebeldes em bairros controlados pelo regime.

Os novos confrontos ocorrem um dia após a morte de 22 civis em bombardeios mútuos, em um dos piores balanços desde que o cessar-fogo entrou em vigor.

No Cairo, em visita oficial, o presidente francês, François Hollande, ressaltou que "devemos fazer todo o necessário para que a trégua seja mantida" na Síria.

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