Parlamento líbio adia votação de moção de confiança para governo de unidade

Trípoli, 18 Abr 2016 (AFP) - O Parlamento líbio adiou a sessão programada para esta segunda-feira, na qual votaria uma moção de confiança ao governo de unidade nacional apoiado pela ONU - disseram vários deputados à AFP.

Os deputados informaram que a sessão não aconteceu, apesar da presença do enviado da ONU Martin Kobler para "encorajar" os deputados a votar, disseram parlamentares. Essa situação evidencia as profundas divisões existentes no Parlamento reconhecido pela comunidade internacional, que tem sede em Tobruk, no leste do país.

Esse governo recebeu um novo apoio com a visita surpresa a Trípoli, nesta segunda, do ministro britânico das Relações Exteriores, Philip Hammond. Lá, ele se reuniu com o premiê do governo de unidade, Fayez al-Sarraj. Na semana passada, os ministros de Itália, França e Alemanha já haviam se reunido com Al-Sarraj.

Resultante de um acordo concluído no final de 2015, sob patrocínio da ONU, o governo de unidade precisa do voto de confiança do Parlamento para poder estender sua autoridade ao leste do país. No momento, essa região é governada por um gabinete paralelo, que se recusa a ceder o poder antes de uma votação.

"Hoje, os deputados fizeram apenas consultas. Vamos ver como as coisas evoluem", comentou deputado Ali Tekbali.

O deputado Khalifa Daghari anunciou "a instalação de um comitê formado por deputados para tentar chegar a um acordo entre aqueles que são a favor e os que são contra o governo de unidade".

"Se chegarmos a um acordo, teremos uma sessão amanhã (terça-feira). Caso contrário, continuaremos a negociar", completou.

A comunidade internacional apoiou com firmeza o governo de unidade nacional, na expectativa de que ponha fim ao caos que reina no país desde a queda de Muammar Kadhafi, em 2011.

Essa aguda instabilidade se transformou em uma oportunidade para o grupo Estado Islâmico, que estabeleceu um reduto importante a apenas 300 quilômetros da costa da Itália.

Outro motivo de preocupação para a UE é a onda de migrantes que buscam cruzar o Mediterrâneo para chegar à Europa partindo da Líbia.

Transferência de dois ministériosEm diferentes ocasiões, esse Parlamento fracassou em realizar uma sessão de confiança sobre o governo de união, por falta de quórum.

Ainda que a legitimidade não tenha sido sacramentada por uma votação da Câmara, o governo de unidade se autoproclamou em atividade em 12 de março passado, com base em um comunicado de apoio de cerca de 100 parlamentares (de um total de 198).

O vice-primeiro-ministro designado, Ahmed Meitig, havia declarado que, qualquer que fosse o resultado dessa votação do Parlamento, o Executivo de união começaria a assumir o controle de ministérios em Trípoli.

Assim, nesta segunda, de acordo com um comunicado oficial, o ministro de Estado Mohamad al-Amari assumiu o controle da pasta de Habitação e de Trabalhos Públicos, assim como a dos Assuntos Sociais.

No fim do dia, Al-Sarraj participaria de um videoconferência com os ministros da Defesa e das Relações Exteriores da União Europeia (UE) em Luxemburgo.

Essa reunião pode permitir "trabalhar para identificar projetos (de apoio) concretos no plano econômico, político, ou securitário", disse a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini.

Enquanto isso, vários países europeus consideram reabrir suas embaixadas na Líbia, país minado por anos de violência e de disputas de poder.

Hammond em TrípoliEssa intensa atividade diplomática dos europeus foi acompanhada pelo anúncio, no domingo, feito por Kobler sobre o retorno da Missão das Nações Unidas (Manul) na Líbia. A ONU se retirou do país em 2014 por causa da violência.

Em visita a Trípoli, o ministro britânico Hammond levou o apoio de seu país ao governo de Al-Sarraj, prometendo-lhe, em especial, uma ajuda de 10 milhões de libras (cerca de 12,6 milhões de euros).

Hammond destacou a importância que seu país e a UE concedem à luta contra o Estado Islâmico (EI) e à imigração clandestina.

Para ele, "combater o Daesh (acrônimo em árabe do EI) e a imigração clandestina fazem parte do mesmo combate, e cabe ao povo e ao governo líbios decidir como querem reconquistar seu país dos invasores do Daesh".

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