Tesouro britânico apresenta panorama sombrio se país deixar a UE

Londres, 18 Abr 2016 (AFP) - Sair da União Europeia (UE) diminuiria o Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido em 6% até 2030, adverte o ministério das Finanças em um relatório que irritou os defensores do abandono ao bloco.

Ao mesmo tempo, o ministro das Finanças, George Osborne, calculou em 4.300 libras por ano o que cada família deixaria de receber a cada ano se o país abandonar o bloco, em um artigo publicado no jornal The Times.

"É uma completa fantasia acreditar que existe outro tipo de acordo alternativo ou igualmente ao de ser membro (da UE)", disse Osborne no discurso apresentado pelo relatório de mais de 200 páginas.

O relatório, publicado a pouco mais de dois meses do referendo sobre a permanência na UE, no dia 23 de junho, analisa os cenários alternativos baseando-se nos acordos comerciais do bloco europeu com terceiros países, por exemplo Noruega e Canadá.

O recuo de 6% no PIB foi calculado tomando como modelo o acordo canadense -que entrará em vigor em 2023.

Em conclusão, o relatório aponta que nenhuma das relações com a UE alternativas à permanência permitirá um acesso sem cotas ou tarifas ao mercado único de 500 milhões de consumidores.

"O Reino Unido será permanentemente mais pobre se sairmos da UE", disse Osborne.

- Impacto econômico no curto prazo -"É legítimo dizer que o Reino Unido estaria pior se saísse da UE, mas que é um preço que vale a pena pagar, mas não vamos sair da UE com falsas perspectivas", disse Osborne.

A saída da União Europeia debe ser seguinda de um forte impacto econômico no Reino Unido.

"No curto prazo enfrentaríamos um impacto econômico profundo e uma autêntica instabilidade", avisou o ministro.

Osborne chamou de "analfabetismo econômico" pensar que sair da UE não terá custo.

A campanha pela saída respondeu ao ministro. Nigel Farage, líder do partido anti-UE Ukip, disse que "Osborne quer manter o Reino Unido em uma UE caduca". "Acho que Reino Unido pode fazer muito melhor, negociando acordos no mundo", opinou.

Uma pesquisa publicada nesta segunda-feira no jornal The Sun aponta que os partidários da permanência na UE superam por pouco (45% a 38%) os que preferem a saída, mas os indecisos registraram uma alta de seis pontos em pouco tempo e passaram de 11% a 17%.

"A conclusão é clara: para a economia britânica e as famílias, deixar a UE seria a ferida autoprovocada mais extraordinária", completa.

Para Osborne, "a análise do Tesouro mostra que em todas as alternativas plausíveis à integração britânica à UE, teríamos uma economia menos aberta e conectada, não apenas com a Europa, e sim, crucialmente, com o resto do mundo".

"Teríamos menos comércio, menos investimento e menos empresa".

"Os que defendem a saída calculam mal sua mão de negociação. Enquanto 44% das exportações britânicas vão para a UE, menos de 8% de suas exportações vêm para cá", recordou Osborne.

O Tesouro já publicou um relatório parecido antes do referendo de independência da Escócia, despertando a fúria dos nacionalistas, que acusou a instituição de jogo sujo porque o governo teria deixado a suposta neutralidade de lado.

O primeiro-ministro conservador David Cameron e Osborne defendem a permanência na UE, mas vários ministros e membros de seu partido divergem.

O conservador prefeito de Londres, Boris Johnson, destaca-se na campanha contrária à UE, e criticou os "suspeitos habituais" que usam argumentos alarmistas.

"Todos os suspeitos habituais estão aí, tentando confundir o público britânico e convencê-lo que tem que aceitar a perda do autogoverno democrático como preço para a prosperidade econômica", escreveu Johnson em sua coluna no Daily Telegraph.

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