Argentina recebe muitas ofertas ao retornar aos mercados internacionais

Buenos Aires, 19 Abr 2016 (AFP) - A Argentina anunciou nesta terça-feira que, em seu retorno aos mercados financeiros, a demanda por seus bônus quintuplicou a base de emissão de 12,5 bilhões de dólares, tornando-se a maior para uma economia emergente.

"A mancha do 'default' de 2001 se encerra definitivamente", disse o ministro da Fazenda, Alfonso Prat-Gay.

"Nesta sexta-feira, quando os fundos caírem em nossa conta, pagaremos 9,3 bilhões de dólares. Conseguimos 220 acordos com 'holdouts' de distintos tamanhos", acrescentou.

A taxa de juros média acordada foi de 7,2%, para títulos a 3, 5, 10 e 30 anos, informou Prat-Gay.

"Dois terços dos investidores são dos Estados Unidos. Um quarto são europeus e 5% são do Extremo Oriente. Outros 5% são da América Latina", disse Prat-Gay.

O ministro informou que "há uma demanda de mais de 60 bilhões de dólares".

"É um bom retorno da Argentina aos mercados de capitais após quinze anos de ausência", disse em Paris Jean-Marc Mercier, encarregado do setor de obrigações do HSBC, um dos sete bancos a cargo da operação.

Em Paris, outras fontes próximas à operação disseram à AFP que as ofertas superam os 70 bilhões de dólares e que a Argentina fará uma emissão de US$ 16,5 bilhões.

A operação iniciada na segunda-feira e concluída nesta terça-feira teve como objetivo conseguir fundos para pagar credores com bônus em default desde 2001, quando a Argentina declarou uma moratória por 100 bilhões de dólares.

A demanda de credores chegou a 69 bilhões de dólares, informou o governo. "É um bom retorno da Argentina aos mercados de capitais após quinze anos de ausência", disse em Paris Jean-Marc Mercier, responsável pelo setor de obrigações do HSBC, um dos sete bancos encarregados da operação.

Sair de outro 'default'Antes de anunciar o resultado da operação, Prat-Gay disse que a emissão argentina teve "a maior demanda da história em um mercado emergente e está entre as vinte maiores da história para uma emissão".

A demanda de credores por investir chegou a 69 bilhões de dólares, informou. "É um bom retorno da Argentina aos mercados de capitais após quinze anos de ausência", disse em Paris Jean-Marc Mercier, responsável pelo setor de obrigações do HSBC, um dos sete bancos encarregado pela operação.

O acordo, entretanto, não chega à totalidade de 7% de credores títulos em moratória. Ficarão de fora valores por 3,5 bilhões de dólares em litígio em Nova York.

Os 93% restantes aderiram às reestruturações de 2005 e 2010.

Economia em apertoA Argentina sairá do default técnico e encerrará seu conflito com os holdouts, mas no plano interno enfrenta uma situação econômica difícil.

Macri pediu "austeridade" aos argentinos na segunda-feira e "responsabilidade" aos empresários na hora de fixar seus preços.

"Peço que vocês façam o máximo esforço para cuidar de cada um de seus funcionários", disse o presidente, enquanto o Estado admite ter demitido 11.000 funcionários de órgãos estatais. Para os sindicatos, esse número chega a 100.000.

Prat-Gay nega que o governo esteja impondo um ajuste.

"Que ninguém acredite que estamos em uma etapa de ajuste, estamos pondo o foco nos mais vulneráveis", disse o ministro, que prometeu "uma drástica queda da inflação no segundo semestre". Estimativas privadas já calculam uma inflação de 40% ao ano.

O governo busca medidas paliativas para os efeitos de pesados aumentos de tarifas de água, gás, eletricidade e transporte, que van de 100% a 700%.

Os aumentos não foram acompanhados por reajustes salariais, motivo pelo qual vários sindicatos realizaram protestos e greves nacionais.

A imagem positiva do presidente Macri, que assumiu o poder em 10 de dezembro do ano passado, caiu oito pontos, para 50,1% na primeira semana de abril, segundo uma pesquisa do consultor Raúl Aragón.

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