Bombardeios contra mercados deixam mais de 40 mortos na Síria

Beirute, 19 Abr 2016 (AFP) - Ao menos 44 civis, incluindo três crianças, perderam a vida e dezenas de pessoas ficaram feridas em bombardeios nesta terça-feira, aparentemente por parte do exército sírio, contra mercados na província síria de Idleb (noroeste), reduto da facção da Al-Qaeda.

Mencionando um massacre, o OSDH (Observatório Sírio dos Direitos Humanos) informou que ao menos 37 civis morreram nos bombardeios contra um mercado de verduras em Maaret al Noomane, e outros sete em um mercado de peixes em Kafranbel.

A província de Idleb é controlada desde março de 2015 pela Frente Al-Nusra (facção síria da Al-Qaeda) que, como el grupo extremista Estado Islâmico, está excluído da trégua que entrou em vigor em 27 de fevereiro entre o regime e os rebeldes.

A coalizão síria de oposição, que reúne as principais formações no exílio, denominou estes ataques - entre os mais mortais registrados desde o início do cessar-fogo -, de "massacres".

Os bombardeios contra os mercados acontecem quando a oposição síria suspendeu, na segunda-feira, sua participação "formal" nas negociações de paz com o governo de Damasco em Genebra.

A segunda rodada de negociações sobre a paz na Síria, promovida pela ONU, acontece desde 13 de abril e deveria durar pelo menos dez dias, mas a oposição declarou ser inaceitável prosseguir com as discussões enquanto o regime de Damasco seguir "bombardeando e matando de fome os civis" no país.

O objetivo dessa tentativa de diálogo é pôr fim a cinco anos de um conflito que já deixou mais de 270.000 mortos.

"Atacar os mercados populares lotados de civis representa uma escalada perigosa da violência", afirmou a coalizão à respeito dos ataques desta terça-feira,

Trata-se de "mais uma prova da validade (...) da decisão do Alto Comitê de Negociações (ACN) de suspender as negociações" em Genebra, acrescentou.

Os principais líderes da oposição começaram a deixar Genebra, restando apenas uma equipe técnica, segundo anunciou o coordenador-geral do ACN, Riad Hijab.

Hijab lamentou que "não houve trégua no terreno, porque ninguém cobra daqueles que violam" o cessar-fogo.

Ele pediu ao Conselho de Segurança da ONU que "reconsidere" o acordo. "Deve haver observadores internacionais no terreno e que as Nações Unidas constatem as violações da trégua e cobrem dos culpados", insistiu.

No campo de batalha na Síria, a trégua realmente parece perdida, depois que dez grupos rebeldes anunciaram uma resposta coordenada às "violações" do cessar-fogo por parte de Damasco.

Respeitado globalmente, o acordo de cessação das hostilidades imposto por Washington e por Moscou desde 27 de fevereiro era ameaçado há mais de uma semana por uma nova escalada nos combates e bombardeios, principalmente na metrópole de Aleppo (norte) e sua província.

Para Karim Bitar, diretor de pesquisa no Instituto de Relações Internacionais e Estratégica (Iris), a "oposição parece ter chegado a conclusão de que estas negociações não passavam de uma cortina de fumaça para permitir que o regime consolidasse a sua base".

"Russos e americanos seguem coordenando seus esforços e pedindo respeito à trégua, mas as grandes potências sabem de sua incapacidade", acrescenta o especialista.

Apesar do abandono da mesa de diálogo pela oposição, para o ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, as negociações "não estão congeladas", porque "para além do grupo de Riad (ACN), uma delegação do governo, delegações de grupos que se reuniram em Moscou, no Cairo e em Astana, e o grupo de Hmeimim seguem envolvidos nas negociações".

Por sua vez, o regime se diz pronto para discutir a criação de um governo de coalizão com a oposição, mas não negocia o futuro do presidente Bashar al-Assad, segundo indicou nesta terça-feira à AFP Bashar al-Jaafari, embaixador da Síria nas Nações Unidas.

O futuro do presidente sírio é o principal ponto de desacordo entre o regime e a oposição, que insiste na criação de um "corpo de transição" com poderes executivos, onde não haveria espaço para Assad.

Em cinco anos, a guerra na Síria causou mais de 270.000 mortos e milhões de deslocados.

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