Começa julgamento do fundador do movimento anti-Islã alemão Pegida

Dresden, Alemanha, 19 Abr 2016 (AFP) - O julgamento contra o fundador do movimento islamobófico alemão Pegida, que se referiu aos refugiados como "gado", começou nesta terça-feira, em Dresden, leste da Alemanha, coincidindo com o crescimento da extrema direita a nível nacional.

Condenado anteriormente por agressão, violência e tráfico de cocaína, detido por 14 meses na Alemanha depois de ter fugido para a África do Sul, Lutz Bachmann, de 43 anos, pode enfrentar de três meses a cinco anos de prisão por "incitamento ao ódio".

O julgamento, que acontece sob um forte esquema de segurança, vai acontecer em três dias até 10 de maio.

O fundador do Pegida se apresentou ao tribunal sorrindo e acompanhado de adeptos que mostravam cartazes pedindo a sua liberdade.

A justiça acusa Bachmann pelas declarações que fez em setembro de 2014 no Facebook, que descreviam os refugiados da guerra como "gado" ou "gentalha" - uma incitação ao ódio e ofensa à dignidade, aos olhos da justiça.

"Essas mensagens não foram escritas por Lutz Bachmann", assegurou sua advogada, Katja Reichel, recordando que seu cliente "teve sua página no Facebook hackeada".

A advogada solicitou a audiência de um técnico da rede social e acusou a imprensa de "já ter condenado" o seu cliente.

Como prova, o tribunal assistiu a um vídeo de uma manifestação do Pegida em janeiro de 2015, no qual o acusado falava sobre o assunto declarando que "utilizou as palavras que todo o mundo já utilizou ao menos uma vez na vida".

Na segunda-feira à noite, durante a tradicional concentração semanal do Pegida em Dresden, este ex-cozinheiro e agora diretor de uma agência de comunicação não fez referência ao processo, mas brincou sobre a comoção provocada nos últimos dias pelo caso do humorista alemão Jan Böhermann, que poderia ser levado à justiça por um poema em que chama o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, de zoófilo e pedófilo.

"Imagine o escândalo (...) se esse poema tivesse sido escrito por mim! Teriam me prendido diretamente no palco, colocado em prisão preventiva" e finalmente "executado", ironizou Bachmann a alguns milhares de manifestantes que reivindicavam a expulsão dos requerentes de asilo.

O Pegida ("Patriotas europeus contra a islamização do Ocidente") lançou um movimento em 2014, em Desdren, que rapidamente ganhou adeptos e chegou a seu ponto alto depois do atentado contra a revista satírica francesa Charlie Hebdo, em janeiro de 2015.

Mas a organização perdeu fôlego depois que imagens Bachmann caracterizado como Hitler apareceu no jornal Bild.

Apesar de ter retomado um pouco o fôlego no outono passado, o movimento segue encurralado em Dresden, onde muitos ataques foram registrados contra os refugiados.

Por outro lado, cinco supostos membros de uma outra organização de extrema direita de Freital, também na Saxônia, foram presos nesta terça-feira, suspeitos de terem atirado um dispositivo explosivo em um centro de acolhimento para os migrantes.

À procura de uma possível saída política, o Pegida se apresenta como "não-violento" e aumentou seus contatos com o partido populista "Alternativa para a Alemanha" (AFD), mais popular na antiga Alemanha Oriental (RDA) que no oeste.

No leste, os sinais de proximidade são numerosos. A presidente do partido, Frauke Petry, originária da Saxônia, apostou no diálogo com Lutz.

Ao mesmo tempo, o Pegida comemorava as declarações da deputada europeia da AFD Beatrix von Storch, que considerou que o Islã não é "compatível" com a Constituição alemã.

Mas no oeste, os representantes da AFD se esforçam para se distanciar do Pegida e das posições islamofóbicas do partido, que devem ser debatidas dentro de dez dias em uma conferência.

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